Cultura | 19-08-2026 18:00

Fadista de Alverca encerrou maior festival de música electrónica do Mundo

Fadista de Alverca encerrou maior festival de música electrónica do Mundo
Marta Rosa - foto DR

“Tomorrowland” realizou-se na Bélgica em Julho e Marta Rosa, de Alverca, actuou para plateia de mais de 200 mil pessoas, naquele que é considerado o maior festival de música electrónica do Mundo.

A fadista e cantora de Alverca do Ribatejo, Marta Rosa, foi a convidada para encerrar cada um dos dias do festival Tomorrowland, realizado na Bélgica no final de Julho, integrando a orquestra criada pela organização para o espectáculo final daquele que é considerado um dos maiores festivais de música electrónica do mundo.
Formada na área musical, Marta Rosa tem sido uma das vozes em maior destaque da nova geração do fado. A participação da artista representou um dos momentos de destaque da presença portuguesa no festival, que se realizou no recinto de De Schorre, em Boom, e que reuniu cerca de 200 mil visitantes em cada um dos dois fins de semana, provenientes de mais de 200 países. Criado em 2005, o Tomorrowland é considerado uma referência mundial da música electrónica e apresentou, nesta edição, o conceito “Consciência”, inspirado nas emoções humanas.
A fadista, com quem O MIRANTE conversou em 2017, considerou ser “muito especial” cantar em português num palco com a dimensão do Tomorrowland. “Cantar sempre me levou a lugares inauditos, mas ser convidada para subir ao palco principal do festival para cantar na minha língua portuguesa foi uma das experiências mais extraordinárias que já vivi enquanto artista”, explica.
A participação surgiu através de um convite do produtor do Tomorrowland, que encontrou a fadista através da Internet. A partir daí toda a preparação e as demonstrações foram feitas à distância, até aos ensaios presenciais na Bélgica. “É o palco mais bonito onde já estive e o maior e mais elaborado”, afirmou a fadista, destacando a oportunidade de partilhar o espectáculo com músicos, bailarinos e orquestra. O festival contou com mais de 850 artistas distribuídos por 16 palcos.

Cidadã de mérito de Alverca
Em 2017 O MIRANTE já tinha conversado com Marta Rosa, que recebeu o galardão de mérito da cidade de Alverca nesse ano. “Fadista não é a palavra que melhor me define. Hoje em dia qualquer pessoa é fadista. Para mim, cantar fado é uma forma de vida”, afirmou ao nosso jornal, sublinhando que também deu aulas de música, passou pela ópera e pelo teatro, escreve e compõe. “Viver em Alverca é estar num cantinho de céu. Estou perto de Vila Franca de Xira e de Lisboa, que é onde passo a maior parte do tempo. Sou uma insatisfeita perfeccionista e uma pessoa desassossegada. Como diria António Variações, só estou bem onde não estou. Isso tem coisas boas e más. A boa é que é uma maneira de ser que me obriga a nunca ficar confortável muito tempo no mesmo sítio. Se começo a sentir que estou demasiado acomodada a algo começo a sentir um bichinho para fazer outra coisa”, afirmava.
Para Marta Rosa, “fado que é fado ouve-se à noite numa rua escura”, trazendo consigo uma tristeza, melancolia e nostalgia intrínseca à canção. “Ouve-se mais fado hoje em dia. Não sou capaz de ter um trabalho de escritório das nove às cinco. Adoro o que faço e acredito que o trabalho é o essencial para singrar profissionalmente. A sorte e o talento são um por cento”, contava.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias