Cultura | 24-08-2026 21:00

Carvalhal levantou-se dos destroços para manter viva a festa da aldeia

Carvalhal levantou-se dos destroços para manter viva a festa da aldeia
Voluntários dedicaram várias horas à recuperação do recinto das festas - foto DR

Seis meses depois de a tempestade Kristin ter destruído grande parte do recinto das festas do Carvalhal, em Abrantes, dezenas de voluntários devolveram vida ao espaço. A hipótese de cancelar chegou a existir, mas a população decidiu responder à destruição com trabalho e manter de pé uma das festas mais importantes da freguesia.

Ao final da tarde, a poucos dias do início das festas, o recinto do Carvalhal estava transformado num estaleiro. Rebarbadoras, berbequins e martelos misturavam-se com as conversas dos voluntários que recuperavam estruturas, assentavam calçada, montavam redes de sombra, limpavam o espaço e preparavam a restauração. A tempestade Kristin destruiu cozinhas, coberturas, palco e outras infraestruturas utilizadas pela Associação Cultural, Desportiva e Recreativa Os Lobos do Carvalhal. Muitos dos ferros retorcidos foram cortados, soldados e reaproveitados para novas estruturas. “Percebemos que realizar as festas seria também uma forma de mostrar que o Carvalhal não desiste”, afirma o presidente da associação, César Santos.
Numa das tardes estavam 17 voluntários no recinto, entre reformados, jovens em férias e trabalhadores que seguiram directamente dos empregos para ajudar. Rui Ribeiro, 52 anos, é um deles. “Aqui ninguém ganha dinheiro. Fazemo-lo porque gostamos disto”, resume. Silvino Salgueiro dedicou duas semanas das férias à reconstrução. “Os Lobos fizeram o Carvalhal ressuscitar. Não podemos deixar morrer estas aldeias”, afirma. Na cozinha, Joaquim Lourenço, conhecido por “Ti Eskim”, prepara-se para assar entre 700 e 800 frangos. Maranho, febras e entremeadas completam a ementa e há 120 barris preparados para a festa.
A associação, fundada em 2007 e com 339 sócios, continua sem resposta às candidaturas apresentadas para compensar os prejuízos provocados pela tempestade. A Câmara de Abrantes aprovou entretanto 150 mil euros para a primeira fase de um espaço multiúsos junto ao recinto. Enquanto os apoios não chegam, no Carvalhal a resposta tem sido dada com ferramentas nas mãos e muitas horas de trabalho voluntário.

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