Cultura | 26-08-2026 12:00

Ranchos folclóricos da região procuram mais jovens para poderem continuar a dançar

Ranchos folclóricos da região procuram mais jovens para poderem continuar a dançar
Rancho Folclórico de Alcanhões, Santarém, foi uma das presenças no festival de Arruda dos Vinhos - foto O MIRANTE

As tradições ainda estão vivas mas cativar os mais pequenos para se juntarem aos grupos de folclore é ainda um desafio. Muitos chegam por ligação familiar. No último fim-de-semana o 44º Festival de Folclore de Arruda dos Vinhos, um dos destaques da vila, juntou grupos da região.

Os grupos de folclore da região estão vivos e dinâmicos, movimentam espectadores fiéis mas precisam de mais jovens para continuar a dançar e a perpetuar as tradições que evocam. O desabafo foi escutado no 44.º Festival de Folclore de Arruda dos Vinhos, realizado no último fim-de-semana, que juntou grupos do Douro, Oeste e Ribatejo e mostrou que, apesar das dificuldades - e do calor de Agosto - ainda há quem não desarme de manter viva a memória popular. O festival de folclore é um dos pontos altos das festas em honra de Nossa Senhora da Salvação em Arruda dos Vinhos, que decorrem até 18 de Agosto.
O anfitrião, Rancho Folclórico Podas e Vindimas de Arruda dos Vinhos, recebeu o Rancho de S. Pedro da Bela Vista, de Galegos, Penafiel, o Rancho de Alcanhões, Santarém e o Rancho Folclórico Regional e Cultural da Branca, de Coruche. Mais do que um desfile de trajes antigos, o encontro foi também uma espécie de fotografia do presente do folclore português: grupos que enfrentam dificuldades para reunir elementos suficientes mas que encontram nas crianças e nos jovens uma razão para continuar. No Rancho de Arruda dos Vinhos há hoje 50 elementos, entre bailarinos, figurantes e tocadores. E, entre eles, estão algumas das peças mais importantes para o futuro do grupo: crianças e jovens. “Temos alguns jovens, o que é bom, crianças dos 7 meses aos 12 anos, mas dava-nos jeito termos mais”, conta a O MIRANTE Hugo Lopes, que assumiu a presidência do rancho há dois meses.
A presença dos mais novos é a garantia de continuidade. Num mundo onde os hábitos mudam rapidamente e onde a cultura popular compete pela atenção com inúmeras outras formas de entretenimento, conseguir levar uma criança para um ensaio pode ser tão importante como organizar uma grande actuação, explica. Ao contrário dos grupos ribatejanos, o rancho de Arruda dos Vinhos evoca as memórias do Oeste, da antiga zona saloia da capital, com música de baile e algumas modas à base de valsas.
Já João Costa, do Rancho de Alcanhões, admite que trazer jovens para o grupo é o maior desafio, mas apesar disso a renovação vai acontecendo, incluindo com jovens adultos. “Felizmente já vamos tendo alguma juventude”, conta. Apesar das dificuldades o calendário de actuações continua preenchido para o grupo e estão na estrada durante todos os fins de semana de Agosto. “É a altura mais concorrida do ano, não há calor que nos trave”, diz, com um sorriso. Para João Costa o valor do rancho vai muito além das actuações. “É um grupo socialmente bom, ajuda muita gente a conviver e é isso que se leva de bom da vida”, afirma. É precisamente nessa dimensão comunitária que os responsáveis dos ranchos dizem poder ser uma das respostas para a sobrevivência do folclore. Os ranchos não são apenas grupos de dança: são lugares onde se criam amizades, onde os mais velhos transmitem conhecimentos aos mais novos e onde uma criança pode descobrir que uma tradição antiga também pode ser sua.

Rancho Folclórico Podas e Vindimas de Arruda dos Vinhos tem conseguido cativar alguns jovens para as suas fileiras - foto O MIRANTE

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