Sevilhanas e flamenco unem quatro jovens num projecto nascido no Ribatejo
Quatro jovens ribatejanas transformaram a amizade e a paixão pelas sevilhanas e pelo flamenco num projecto próprio. As Salero Gitano nasceram há apenas três meses, mas já somam actuações e convites e alimentam o sonho de um dia dançar na Feira de Sevilha.
Joana Franco, Carolina Cabaço, Maria Garcia e Maria João transformaram anos de dança e amizade num projecto próprio de sevilhanas e flamenco. As Salero Gitano têm apenas três meses, mas já somam actuações, convites e o sonho de subir um dia a um palco na Feira de Sevilha. Naturais e residentes em diferentes localidades do Ribatejo, as quatro bailarinas conheceram-se através da dança, depois de vários anos ligadas a escolas de sevilhanas e a actuações com uma banda. A ideia de criar um grupo autónomo partiu de Carolina Cabaço, que procurava regularmente bailarinas para acompanhar os espectáculos. O convite acabou por juntar as quatro e depressa evoluiu para um projecto independente. “É um gosto comum que nos une. A dança levou-nos a percorrer Portugal de norte a sul e trouxe-nos experiências que nunca vamos esquecer”, contam a O MIRANTE. Conciliar o projecto com estudos, trabalho e outras responsabilidades é uma das dificuldades. Como vivem em localidades diferentes e ainda não têm um espaço fixo, ensaiam nas casas umas das outras sempre que conseguem acertar horários.
A criação das coreografias é partilhada. Joana Franco, natural de Azambuja, continua a frequentar uma escola de sevilhanas e teve formação complementar com uma professora espanhola, pelo que assume muitas vezes a liderança criativa. “Ouvimos a música e os passos começam a surgir naturalmente”, explica. Também a imagem do grupo foi pensada ao detalhe. Os vestidos têm o mesmo modelo, mas cores diferentes, em tons pastel inspirados nas tendências da Feira de Sevilha, garantindo uma identidade comum sem apagar a personalidade de cada bailarina.
A estreia oficial das Salero Gitano aconteceu nas Festas do Porto Alto, no concelho de Benavente, no primeiro espectáculo exclusivamente do grupo. Foram cerca de 30 minutos consecutivos em palco, num formato mais exigente do que aquele a que estavam habituadas quando actuavam com uma banda. Houve nervosismo e pequenos imprevistos, mas a actuação abriu portas a novos convites. A resposta nas redes sociais também surpreendeu. Em pouco tempo surgiram seguidores, mensagens de apoio e perguntas sobre uma eventual escola de dança. Essa possibilidade não está descartada. O objectivo passa por, no futuro, criar pólos de ensino em diferentes localidades e transmitir a outros aquilo que aprenderam ao longo dos últimos anos. “Quem sabe um dia ensinaremos alguém da mesma forma que nos ensinaram a nós”, afirma Maria João, natural de Santarém.
O grupo procura ainda mostrar que sevilhanas e flamenco, apesar de muitas vezes confundidos, têm linguagens distintas. “As sevilhanas representam alegria, cor e celebração. O flamenco exige intensidade, emoção e maior capacidade interpretativa”, explicam. Duas expressões diferentes, mas complementares, que continuam a ganhar espaço em Portugal, sobretudo no Ribatejo e no Alentejo.
A família tem sido uma retaguarda essencial. Pais, mães e outros familiares acompanham os espectáculos, ajudam na logística e incentivam as bailarinas a manter o projecto vivo. Para já, a ambição é crescer, actuar em diferentes pontos do país e consolidar o nome Salero Gitano. Mas o sonho maior está traçado: chegar à Feira de Sevilha. “Seria um sonho mostrar um projecto criado em Portugal naquele que é o maior palco desta cultura espanhola”, afirmam.


