Cultura | 28-08-2026 18:00

Escuteiros de Vila Nova da Rainha ensinam jovens a crescer com autonomia e espírito de equipa

Escuteiros de Vila Nova da Rainha ensinam jovens a crescer com autonomia e espírito de equipa
Escuteiros de Vila Nova da Rainha - foto O MIRANTE

Grupo reúne cerca de 30 elementos e aposta numa aprendizagem feita fora da sala de aula, através de acampamentos, actividades na natureza, voluntariado e desafios que obrigam os mais novos a trabalhar em equipa, resolver problemas e assumir responsabilidades.

Aprender a montar uma tenda, cozinhar, fazer construções, prestar primeiros socorros ou orientar uma caminhada são algumas das competências que os jovens dos Escuteiros de Vila Nova da Rainha vão adquirindo ao longo do seu percurso. O grupo procura preparar os mais novos para a vida, colocando-os perante desafios onde é preciso pensar, trabalhar em equipa e encontrar soluções. O projecto começou a ganhar forma em 2020 pela mão de Marco Mateus, quando ainda era treinador de futebol na União Desporto e Recreio (UDR) de Vila Nova da Rainha. Com o fim do futebol de competição, procurava uma alternativa que permitisse manter os jovens ligados ao convívio e à aprendizagem. A ideia cresceu, esteve inicialmente integrada na UDR e, em 2023, deu origem a uma associação independente.
Actualmente, os escuteiros de Vila Nova da Rainha contam com cerca de 30 elementos, embora já tenham chegado aos 42. A maior parte das actividades realiza-se aos sábados, mas há iniciativas que se prolongam até domingo e obrigam os participantes a dormir no local, muitas vezes em acampamento. Construir mesas e abrigos, montar tendas, cozinhar, fazer nós e amarrações ou acender uma fogueira fazem parte de uma aprendizagem essencialmente prática. Cada desafio é pensado para obrigar os jovens a sair da rotina e desenvolver capacidades que lhes possam ser úteis no quotidiano.
João Dinis, de 16 anos, guarda na memória uma caminhada de cerca de 24 quilómetros entre Azambuja e Vila Nova da Rainha, feita por caminhos no meio do mato, assim como os primeiros acampamentos, onde chegou a construir um arco e flechas. Uma das actividades mais recentes passou pela construção de catapultas inspiradas no jogo “Angry Birds”. Divididos em grupos, os jovens tiveram de planear as estruturas, aplicar nós e amarrações e fazer sucessivas alterações até conseguirem lançar as bolas. Umas catapultas funcionaram melhor do que outras, mas todas cumpriram o objectivo. Para Marco Mateus, é precisamente aí que está uma parte importante da aprendizagem: experimentar, perceber o que falhou e voltar a tentar. João Dinis reconhece que a solução nem sempre aparece à primeira tentativa. Na construção da catapulta foi necessário corrigir erros várias vezes até chegarem ao resultado pretendido, num processo em que a persistência acabou por ser tão importante como o próprio trabalho manual.

Natureza é também uma sala de aula
Aos jovens é transmitida a regra de que qualquer local por onde passem deve ficar, se possível, em melhores condições do que aquelas em que foi encontrado. Depois de desmontarem as tendas e recolherem o material, os participantes fazem uma vistoria ao espaço e apanham também lixo que não foi deixado por eles. O objectivo é criar hábitos de respeito pelo ambiente que continuem para lá das actividades dos escuteiros. Matilde Fernandes, de 13 anos, recorda o último acampamento de Verão como uma das experiências de que mais gostou, sobretudo por ter sido realizado junto à praia e pelo contacto permanente com o ar livre. Ema, também com 13 anos, destaca uma actividade em que o seu grupo conseguiu alcançar o primeiro lugar.
A autonomia é uma das palavras que melhor define a filosofia do grupo. Os jovens são envolvidos no planeamento das actividades e vão assumindo novas responsabilidades à medida que crescem. Os mais velhos começam, por exemplo, a tratar da alimentação, fazer compras e gerir o dinheiro disponível. Até a angariação de fundos procura seguir essa lógica. Em vez de apostarem apenas em rifas, os escuteiros preferem produzir algo que possam vender. Pulseiras e pão com chouriço são alguns exemplos de iniciativas que permitem financiar as próprias actividades.
Marina Nunes, de 18 anos, considera que ainda existe uma ideia errada sobre aquilo que se faz no escutismo. Há quem pense, refere, que ser escuteiro se resume a ir à igreja ou aprender a fazer nós, quando as actividades são muito mais diversificadas. “Tens de experimentar para ver” é a mensagem deixada pelos jovens a quem esteja a ponderar entrar para o grupo. Uma das experiências que mais marcou os escuteiros de Vila Nova da Rainha aconteceu com a passagem de cerca de 500 escuteiros franceses pela freguesia, no âmbito de uma iniciativa relacionada com uma imagem de Fátima. O grupo local ajudou a organizar a recepção, que incluiu um momento de convívio no campo de futebol e uma procissão.

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