Feira da Golegã quer integrar Património Cultural Imaterial nacional
Consulta pública da candidatura da Feira da Golegã ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial decorre durante trinta dias. Município considera que a secular feira de São Martinho e a mais recente Feira Nacional do Cavalo, que decorrem em simultâneo anualmente no mês de Novembro, têm uma identidade muito própria que justifica a classificação.
O vice-presidente da Câmara da Golegã, Diogo Rosa, considera que a consulta pública da candidatura da Feira da Golegã ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial representa "mais um passo" para o reconhecimento e preservação desta tradição secular. O Património Cultural, Instituto Público, anunciou o início da consulta pública do projecto de decisão de inscrição da "Feira da Golegã" no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, um procedimento que decorrerá durante 30 dias.
Em declarações à Lusa, o autarca considerou que o início do processo representa uma “etapa importante para a valorização daquele certame”, conhecido pela realização da Feira Nacional do Cavalo e da secular feira de São Martinho que decorrem em paralelo. “Significa que o processo está a andar e é extremamente importante, na medida em que é mais um passo para vermos o nosso património e as nossas culturas reconhecidas e preservadas", afirmou.
Para Diogo Rosa, a feira reúne todas as condições para obter o reconhecimento, destacando a sua antiguidade e singularidade. "Tenho a certeza de que a candidatura reúne os requisitos necessários”, disse, sublinhando tratar-se de "um evento secular" com características "próprias e únicas", não apenas em Portugal, mas também a nível internacional.
Segundo o autarca, “a convivência entre pessoas e cavalos”, as tradições ligadas ao mundo equestre e a presença de artesãos e produtores de todo o país conferem à feira uma identidade muito própria. "É um evento único, um certame do mais português que pode existir e tem todas as condições e todo o potencial para ser considerado património imaterial", sustentou.
Questionado sobre o processo de preparação da candidatura, Diogo Rosa explicou que o trabalho assentou sobretudo na recolha e organização de documentação histórica promovida pela Associação Feira Nacional do Cavalo, com o apoio de uma equipa de consultoria. "Foi necessário reunir muita documentação histórica, a história da feira, imagens e outros elementos que ajudam a suportar todo o processo", referiu.
O responsável acrescentou que antigos e actuais dirigentes da feira contribuíram com documentação e testemunhos que permitiram consolidar o dossiê apresentado. Quanto aos benefícios da eventual inscrição, Diogo Rosa salientou que o principal objectivo é assegurar “uma protecção mais formal da feira” e reforçar a sua divulgação. "Vai trazer inúmeros benefícios", afirmou, apontando desde logo o potencial turístico associado ao reconhecimento.
Segundo o autarca, a inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial permitirá aumentar a notoriedade da feira e do concelho, contribuindo para atrair mais visitantes. Diogo Rosa considerou ainda que o reconhecimento nacional poderá constituir um passo para uma futura candidatura da Feira da Golegã à lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). "O objetivo principal será conseguirmos que o processo transite para a UNESCO e que a feira seja reconhecida como património da humanidade", afirmou.
Segundo o vice-presidente da autarquia, “esse cenário teria uma repercussão internacional ainda maior para a Golegã”, permitindo reforçar a visibilidade do concelho a nível mundial. A concretizar-se, acrescentou, a Feira da Golegã passaria a juntar-se à Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo, na Golegã, como segundo reconhecimento da UNESCO no concelho.


