Biblioteca de Gonçalo Ribeiro Telles fica em Coruche após três anos à procura de casa
Assinatura de contrato de comodato com o município de Coruche formaliza um processo iniciado em 2023 e uma vontade que a própria família do arquitecto Ribeiro Telles já manifestara publicamente: a de manter em Coruche o legado bibliográfico de uma figura profundamente ligada ao concelho.
A Câmara de Coruche assinou o contrato de comodato referente à cedência da Biblioteca Gonçalo Ribeiro Telles, formalizando a cedência gratuita, pela família do reputado arquitecto paisagista, já falecido, de um acervo com cerca de quatro mil exemplares que será instalado, conservado, organizado, valorizado e disponibilizado para consulta pública na Biblioteca Municipal. Trata-se de um passo decisivo num processo que vinha a ser desenvolvido desde 2023, marcado pela procura de uma solução que permitisse preservar o património reunido ao longo da vida por Gonçalo Ribeiro Telles e, simultaneamente, mantê-lo ligado a Coruche.
Ao longo desse percurso chegaram a ser ponderadas diferentes possibilidades. Entre elas encontravam-se a Universidade de Évora e a Fundação Calouste Gulbenkian. Em Coruche foram também consideradas hipóteses como o Observatório do Sobreiro e da Cortiça, mas os espaços não respondiam às necessidades identificadas. A intenção era encontrar condições para preservar em conjunto milhares de livros, projectos e outros documentos associados a Gonçalo Ribeiro Telles, evitando a dispersão de um património construído durante décadas.
O processo conheceu um novo desenvolvimento em 10 de Dezembro de 2025, durante uma reunião familiar e técnica em que foi analisada uma solução localizada no centro histórico de Coruche. A hipótese teve então boa aceitação, prosseguindo os contactos necessários para encontrar uma solução definitiva.
A ligação entre Gonçalo Ribeiro Telles e Coruche voltou a ser publicamente assinalada a 23 de Maio deste ano, com a inauguração da Avenida Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, nova designação da antiga Avenida do Sorraia. Nessa ocasião, familiares do arquitecto já manifestavam o desejo de ver a sua biblioteca permanecer no concelho. Miguel Ribeiro Telles, que esteve na cerimónia de assinatura do contrato de comodato, disse a O MIRANTE que a família esperava que o acervo viesse para Coruche, preferencialmente para o centro histórico.
Também Francisco Ribeiro Telles sublinhou nessa cerimónia a dimensão afectiva da ligação do pai ao concelho. Coruche era, recordou, um lugar de refúgio, serenidade e lazer, onde Gonçalo Ribeiro Telles mantinha a sua biblioteca e onde ficaram muitas memórias familiares. Três meses depois dessa cerimónia, a assinatura do contrato de comodato vem dar forma concreta à permanência da biblioteca em Coruche.
O local escolhido acrescenta outra dimensão simbólica ao projecto. A actual Biblioteca Municipal funciona na antiga sede do Clube dos Lavradores de Coruche, edifício frequentado por Gonçalo Ribeiro Telles e por várias gerações da sua família. O contrato permite agora avançar para a instalação, conservação e organização do acervo, com vista à sua futura disponibilização para consulta pública.
Um acervo que enriquece Coruche
O acordo agora celebrado estabelece a cedência, a título gratuito, do acervo bibliográfico reunido ao longo da vida pelo professor catedrático, engenheiro agrónomo, arquitecto paisagista, ecologista e político português. São cerca de quatro mil exemplares, entre livros, publicações técnicas, obras de referência, periódicos, jornais e outros materiais documentais, abrangendo áreas como Arquitectura, Arquitectura Paisagista, Ecologia, História, Arte, Arqueologia, Genealogia e Heráldica, Agricultura, Política, Geografia, Literatura e Religião.


