Cristais da Noite: de VFX para os palcos de Portugal
Os Cristais da Noite são uma banda que nasceu em 2009, perdeu pelo caminho um dos seus fundadores e foi juntando músicos de Vila Franca de Xira e das localidades vizinhas, que durante a semana vivem de outras profissões mas que, quando chega o verão, metem instrumentos e equipamento numa carrinha e partem estrada fora para pôr Portugal a dançar e quebrar preconceitos sobre a música popular.
Cristais da Noite é uma banda ribatejana que tem sido presença regular nos cartazes das festas de verão por todo o país nos últimos anos. A banda passa o Verão a percorrer o país, toca para centenas ou milhares de pessoas mas, na segunda-feira, os músicos regressam às profissões que têm durante o resto do ano. Nos Cristais da Noite há um técnico de electromedicina, um mecânico, um cabeleireiro, uma trabalhadora dos serviços de limpeza dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Vila Franca de Xira e uma gestora e tradutora. Há também quem trabalhe no comércio e quem se ocupe da parte técnica. À noite, sobretudo no verão, todos se transformam numa banda. Os Cristais da Noite nasceram em 2009 pelas mãos de Nuno Botica e um colega de Povos, Vila Franca de Xira. O nome da banda guarda a memória do seu início. “Cristais” vem de Cristiano, o primeiro nome do outro fundador, falecido num acidente de mota e “Noite” de Nuno. O nome pegou e a banda continuou a crescer e a afirmar a sua identidade. Hoje os Cristais da Noite são Nuno Botica, guitarrista, vocalista e técnico de som; Sunshine Daisy, uma das vocalistas (que recusa sempre usar o nome próprio); Célia Clemente, vocalista; Nelson Lopes, teclista; Sérgio Gameiro, baterista; Marco Baeta, vocalista; Francisco Botica, o manager e Luís Teixeira, o roadie que acompanha a banda e ajuda a garantir que toda a estrutura funciona. São de locais tão distintos como Arruda dos Vinhos, A-dos-Loucos (Alhandra), Azambuja ou Sobralinho. “A base do nosso repertório é clara: música popular portuguesa e bailarico. É o que faz dançar as pessoas nos arraiais e festas populares. Já nos diferenciamos das outras bandas por termos também alguns singles nossos. Às vezes apetece-nos criar e dar a conhecer outras coisas”, conta Nuno Botica a O MIRANTE, horas antes do concerto dado nas festas de Arruda dos Vinhos.
A sonhar com o Colete Encarnado
Para Nuno Botica há uma ideia redutora sobre o papel destas bandas e sobre a música popular que tocam. O mesmo, diz, acontece muitas vezes com as filarmónicas, apesar do papel fundamental que desempenham na formação musical de tantas pessoas. “A música popular representa as nossas raízes e a nossa identidade. Nós, portugueses, temos um problema grave, nunca gostamos do que se faz por cá. Só o que vem de fora é bom. Passa-nos completamente ao lado e isso também é culpa das rádios que passam pouca música popular portuguesa. É injusto, se formos a Espanha ouvimos imensa música espanhola”, defende. Agosto é particularmente intenso para a banda. Há fins de semana ocupados, muitas horas de estrada, montagem e desmontagem de equipamento e noites passadas em palco. A recompensa é o contacto com o público.
Entre as actuações que ficaram na memória está uma passagem por Armação de Pêra, descrita como uma das experiências mais fortes da banda, sobretudo pela dimensão e energia do público. Mas há um palco que, apesar de estar muito perto de casa, continua por conquistar: o palco das festas do Colete Encarnado em Vila Franca de Xira. “Continuamos a sonhar com o palco da Avenida Pedro Victor. Conhecemos bem o ambiente, afinal de contas somos do concelho. Ainda temos esse sonho de tocar no Colete”, partilha. O segredo para um bom baile, explicam, não está apenas no nome da música ou o autor. Está no ritmo, nas coreografias, na possibilidade do público participar. Muitas vezes, basta uma música conhecida, uma batida certa e uma multidão disposta a divertir-se.


