Cultura | 01-09-2026 15:00

Folclore de norte a sul do país encheu de tradição a Ribeira de Santarém

Folclore de norte a sul do país encheu de tradição a Ribeira de Santarém
Rancho Folclórico do Bairro de Santarém, Graínho e Fontainhas - foto O MIRANTE

A 37.ª edição do Festival “Rio Tejo” levou à Ribeira de Santarém grupos folclóricos de diferentes regiões do país. Entre danças, cantares, rezas e histórias, o encontro mostrou que há tradições que continuam vivas graças a quem insiste em passá-las de geração em geração.

O vento fresco da noite de 15 de Agosto ajudava a aliviar o calor quando os primeiros grupos começaram a chegar junto ao Museu Etnográfico, na Ribeira de Santarém. Trajes preparados, instrumentos afinados e alguma ansiedade antes de entrar em palco davam o tom para a 37.ª edição do Festival “Rio Tejo”, uma noite dedicada ao folclore e às tradições populares de norte a sul do país. Entre os participantes estava o Rancho Folclórico do Bairro de Santarém, Graínho e Fontainhas. Hélder Lourenço, responsável pelo grupo, dividia-se entre os últimos preparativos e a ajuda aos restantes elementos antes do início da actuação. Aos 63 anos, continua a vestir o traje com o mesmo entusiasmo de quem entrou no rancho aos 16. A história do grupo remonta a 1955, quando foi fundado por Celestino Graça com o objectivo de preservar e divulgar usos, costumes, danças e cantares da região. O rancho acabaria por ficar inactivo durante alguns anos, num período marcado, segundo Hélder Lourenço, pela falta de homens disponíveis para dançar e pelas consequências da Guerra do Ultramar. Regressou à actividade em 1980. Foi precisamente nessa altura que Hélder Lourenço decidiu juntar-se ao grupo, seguindo uma tradição que já fazia parte da família. Quase cinco décadas depois continua sem pensar em abandonar.
Actualmente, o rancho conta com 46 elementos de várias gerações e procura garantir que o folclore não fica fechado entre as paredes das colectividades. O grupo realiza também actividades em escolas do primeiro ciclo para mostrar às crianças aquilo que está por detrás das danças e dos trajes. “Com as actuações pretendemos preservar a forma de dançar e cantar. Também tentamos mostrar outras tradições, as rezas, os cantares de trabalho e as histórias”, explica Hélder Lourenço. Se tivesse de escolher uma dança que representasse a identidade do rancho, não hesitaria: o Vira de Quatro. “É uma dança elegante, harmoniosa, lenta e representa toda a nossa forma de estar e dançar”, afirma.

Dos antigos moinhos de Ourém para o palco
A poucos metros, enquanto aguardavam pacientemente pela sua vez, estavam os elementos do Rancho Folclórico “Os Moleiros da Ribeira”, de Ourém. Florbela Vieira faz parte do grupo há 39 anos. Entrou quase por acaso, depois de decidir experimentar um ensaio juntamente com as filhas. Conhecia praticamente todos os elementos e o marido integrava a direcção, pelo que a adaptação foi rápida. No primeiro ensaio começou a cantar e nunca mais deixou de o fazer. “Os Moleiros da Ribeira” nasceram em 1984, durante uma festa de Carnaval, e contam actualmente com cerca de 35 elementos, juntando crianças, jovens e pessoas mais velhas. Mais do que subir ao palco para dançar, procuram contar a história da terra de onde vêm. “Nós somos os Moleiros da Ribeira porque era uma ribeira com 18 moinhos de água, apesar de agora só funcionar um”, conta Florbela Vieira.
É também por isso que a dança dos Moleiros assume um lugar especial no repertório. “Representa a nossa história, a história da nossa terra”, explica. Quando as luzes se acenderam e começaram as actuações, as conversas deram lugar às palmas e à música. Na Ribeira de Santarém cruzaram-se sotaques, trajes, maneiras diferentes de dançar e memórias de várias regiões portuguesas. O Festival “Rio Tejo” voltou assim a cumprir uma missão que ultrapassa o espectáculo: manter vivas tradições que só conseguem chegar às próximas gerações enquanto houver quem as queira ensinar, cantar e dançar.

Rancho Folclórico "Os Moleiros da Ribeira" de Ourém - foto O MIRANTE

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