Casal trocou Queluz por Santarém e criou uma comunidade à volta da dança
Diogo e Fátima Vargas trocaram Queluz por Santarém e acabaram por criar uma associação que junta diferentes gerações em torno das danças europeias. O Dançarém promove eventos por vários concelhos do distrito e defende um “folclore vivo”, mais participado e menos preso à perfeição dos passos e das coreografias.
Quando Diogo e Fátima Vargas se mudaram de Queluz para Santarém, há quase sete anos, trouxeram consigo o gosto pelas danças europeias. Em Lisboa estavam habituados a participar em encontros e festivais, mas na nova cidade perceberam que, se queriam continuar a dançar, teriam de criar o seu próprio espaço. “Nós vamos dançar em Santarém”, decidiram. Em Novembro de 2019 nasceu a Associação Cultural Dançarém. O projecto cresceu e hoje organiza cerca de 12 eventos por ano, além de aulas semanais em Santarém. A associação já criou um público regular, com participantes do concelho, de Lisboa, Caldas da Rainha e de outros pontos da região. O objectivo, explicam os responsáveis, nunca foi formar apenas mais um grupo de dança, mas criar uma comunidade onde quem chega não fica sentado a assistir. “O nosso objectivo não é exibirmo-nos, é mesmo que as pessoas venham e dancem connosco”, explica Fátima Vargas. Antes dos bailes realizam-se oficinas onde são ensinados os passos e não é necessária experiência. Há pessoas que chegam convencidas de que não sabem dançar e acabam surpreendidas por conseguirem acompanhar e desfrutar da experiência.
Um “folclore vivo” e sem medo de experimentar
O repertório inclui danças de vários países europeus, desde rodas a correntes e danças de esquema, mas as tradições portuguesas e ribatejanas também ocupam um lugar importante. Sempre que possível, o Dançarém envolve ranchos folclóricos das localidades por onde passa, como já aconteceu com grupos de Ortiga e Fontainhas. A associação defende uma abordagem mais descontraída ao património tradicional. “Não importa tanto o detalhe e a perfeição, importa desfrutarmos verdadeiramente das danças”, dizem os responsáveis, que falam num “folclore vivo”, menos centrado na roupa ou na reprodução rigorosa das coreografias e mais na participação. O Dançarém tem levado as suas actividades a concelhos como Abrantes, Tomar, Cartaxo, Benavente e Mação. Neste último realiza o Dançarão, festival de Verão que numa das primeiras edições chegou a juntar mais de mil pessoas a dançar numa noite.
A associação procura ainda atrair famílias e jovens, permitindo a entrada gratuita a menores de 18 anos nos eventos pagos. Para o futuro, a ambição mantém-se simples: crescer e chegar a cada vez mais gente. “Queremos que toda a gente de Santarém venha dançar connosco”, afirmam, assumindo a vontade de continuar a “contaminar a comunidade com a alegria da dança”.


