Livros e Internet podem crescer lado a lado nas Biblioférias de Santarém
Os ecrãs fazem parte da vida das crianças, mas na Biblioteca Municipal de Santarém ninguém os vê como inimigos dos livros. Nas Biblioférias, histórias, escrita criativa e tecnologia cruzam-se para despertar a curiosidade dos mais novos.
A Internet e os livros não têm de estar em lados opostos. É essa uma das ideias que orienta o trabalho desenvolvido nas Biblioférias, iniciativa promovida pelo município de Santarém durante o Verão e dirigida sobretudo a crianças entre os seis e os doze anos. O objectivo passa por aproximar os mais novos da biblioteca e da leitura, através de sessões que juntam histórias, actividades e temas da actualidade. Cada encontro é diferente e a programação procura muitas vezes acompanhar datas ou acontecimentos especiais. Foi o que aconteceu na sessão de 12 de Agosto, que coincidiu com o eclipse solar. Rita Neves, responsável pela programação do serviço educativo da Biblioteca Municipal de Santarém, aproveitou o fenómeno para preparar uma manhã dedicada ao espaço, à lua e aos planetas.
As crianças começaram por ouvir histórias sobre a biblioteca e sobre as fases da lua, seguindo-se uma apresentação em que puderam colocar dúvidas e perceber melhor como acontece um eclipse. A sessão terminou com um exercício de escrita criativa. Quem já sabia escrever foi desafiado a inventar uma história a partir dos temas propostos e os mais pequenos deram asas à imaginação através do desenho. A curiosidade não ficou pela sala. No final da actividade, várias crianças procuraram e requisitaram livros sobre planetas e astronomia, prolongando em casa aquilo que tinham acabado de descobrir na biblioteca. Rita Neves explica a O MIRANTE que o serviço educativo não trabalha apenas com crianças. A programação inclui escolas, famílias e também instituições ligadas à população sénior.
Formada em Animação Cultural e Educação Comunitária, em Santarém, e com uma pós-graduação em Intervenção Comunitária e Pedagógica realizada em Espanha, Rita Neves diz estar hoje a trabalhar numa área que sempre quis seguir. A ligação aos livros vem desde a infância. Para a responsável, a leitura acompanha o crescimento e contribui para formar pessoas mais curiosas e informadas. “Os livros é que nos vão alicerçando e dando gosto para querermos evoluir e aprender mais”, afirma.
Tecnologia não substitui o livro
Num tempo em que telemóveis, tablets e computadores fazem parte do quotidiano das crianças cada vez mais cedo, Rita Neves recusa colocar a tecnologia como adversária da leitura. A estratégia passa antes por juntar os dois mundos. “Sabemos que a tecnologia também é muito importante, porque lhes dá essa rapidez de raciocínio e também os estimula cognitivamente, mas tentamos associar o livro à tecnologia”, explica. Nas sessões dirigidas a crianças mais velhas, essa ligação é feita de forma mais evidente, mostrando que ler não significa abdicar da utilização das novas ferramentas digitais. A preocupação está sobretudo no equilíbrio. Rita Neves considera importante que as crianças mantenham contacto com o livro físico e aprendam, ao mesmo tempo, a controlar o tempo passado diante dos ecrãs. É também por isso que defende o envolvimento dos pais, lembrando que o incentivo à leitura começa muitas vezes dentro de casa. Apesar da presença cada vez maior da Internet no quotidiano das famílias, Rita Neves diz não sentir um afastamento das crianças em relação às actividades promovidas pela biblioteca. Pelo contrário, garante que a procura tem aumentado e que as inscrições ao longo do ano são cada vez mais numerosas.


