Cultura | 09-09-2026 18:00

O folclore mostrou-se à cidade no Jardim da República em Santarém

O folclore mostrou-se à cidade no Jardim da República em Santarém
Bancas dos ranchos deram a provar sabores tradicionais do Ribatejo - foto O MIRANTE

“Há Festa no Jardim - Sabores e Tradição” voltou ao Jardim da República, em Santarém, com danças, cantares e produtos e sabores ribatejanos.

O Jardim da República, em Santarém, acolheu no sábado, 29 de Agosto, mais uma edição do evento “Há Festa no Jardim - Sabores e Tradição”, uma iniciativa que juntou grupos folclóricos do concelho para um momento de partilha de saberes e sabores. Organizado pela Fundação Inatel e pela Câmara de Santarém, o evento contou com a participação dos ranchos folclóricos de Alcanhões, da Ribeira de Santarém, de Vale de Figueira, de Abitureiras e Grupo Académico de Danças Ribatejanas.
A dedicação dos ranchos à defesa das tradições locais saltou à vista em cada banca. Alípio Canaverde, presidente do Grupo Folclórico de Abitureiras, sublinhou a enorme preocupação do grupo com o rigor histórico e a preservação rigorosa das tradições. Com a preocupação levada a “300 por cento”, o grupo apresentou uma banca recheada de produtos tradicionais, entre bolos de noiva, enchidos da terra, legumes locais e pão caseiro, feito em forno a lenha. Foram ainda usados panos e talheres antigos de forma a recriar o ambiente de outras épocas.
Do outro lado, numa banca onde as uvas de mesa e o pão caseiro saltavam à vista, João Ferrão, presidente do Rancho Folclórico de Vale de Figueira, destaca o papel do folclore. “O folclore serve para unir. Um povo sem identidade não pode ter futuro”, diz orgulhoso ao ver os diversos grupos presentes a dançar e a cantar juntos.
No Rancho Folclórico de Alcanhões, o trabalho começou muito antes da abertura do evento. “Isto dá trabalho, mas é um trabalho feito com amor, dedicação e gosto”, desabafa João Costa, presidente do grupo, explicando que várias mulheres do grupo passaram a noite em claro a fritar as pataniscas e os pastéis de bacalhau regionais, que voaram num ápice da banca. Para o dirigente, iniciativas como esta são importantes para mostrar que a missão do folclore vai muito além da dança. É uma forma de manter vivas as tradições e de aproximar diferentes gerações da cultura popular ribatejana.

“Aqui estamos todos ao mesmo nível”
O Grupo Académico de Danças Ribatejanas também procurou transformar a sua participação numa experiência de proximidade com o público. Ludgero Mendes, presidente do grupo, considera que o formato do evento permite uma relação mais directa entre quem apresenta e quem visita. “No palco há dois níveis: quem actua e quem assiste na plateia. Aqui estamos todos ao mesmo nível, há uma relação directa entre o público e os agentes culturais”, afirma. O grupo de Santarém apostou numa apresentação cuidada da banca, onde não faltaram iguarias locais, como a tradicional sopa de carne “3 por 1”, fritos, doces e licores.
Já no Rancho Folclórico da Ribeira de Santarém, a aposta passou também pela valorização dos produtos locais. Através de um esforço colectivo de angariação, o grupo recorreu directamente a agricultores locais para garantir fruta fresca para a iniciativa. A banca encheu-se assim de melões, chouriço assado, doçaria tradicional e pão caseiro.

Grupos participantes destacaram a importância de preservar saberes e costumes locais - foto O MIRANTE

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