Rancho do Pinheiro Grande luta para sobreviver ao alheamento da juventude
Festival de Folclore do Pinheiro Grande já vai na 34ª edição e constitui uma exaltação à etnografia e às tradições ribatejanas e não só. O evento é organizado pelo Rancho Folclórico e Etnográfico do Pinheiro Grande, que enfrenta dificuldades em captar sangue novo, apesar de contar com reforços recentes vindos de fora.
A aldeia de Pinheiro Grande, no concelho da Chamusca, acolheu a 34ª edição do Festival de Folclore organizado pelo Rancho Folclórico e Etnográfico do Pinheiro Grande, com ranchos convidados de vários pontos do país. Ema Santos é tesoureira e cantora no rancho. Não gosta de dar entrevistas, mas percebe-se que ficou contente por poder partilhar com O MIRANTE o entusiasmo que sente por participar na organização do evento, que contou com ranchos do Algarve, de Aveiro e do Alentejo, para além do anfitrião.
Como tantos outros ranchos, o do Pinheiro Grande tem dificuldade em captar o interesse dos jovens. Para Ema Santos é mesmo a maior dificuldade que enfrentam para manter o grupo vivo. Outra é a dos custos dos trajes tradicionais. O festival é uma das iniciativas importantes para angariar receitas, que além de ajudar a financiar os trajes, ajuda a pagar o espaço, alugado para o evento, e os acordeonistas, que são poucos.
De Lisboa para o Pinheiro Grande
Carolina Monteiro, 17 anos, toca adufe e é uma das jovens que integra o Rancho do Pinheiro Grande. Escolheu juntar-se porque a família já fazia parte. Mãe, pai e irmã, e agora também a Carolina, que gosta de participar nesses eventos. O dia do desfile, sábado, 29 de Agosto, é o seu preferido porque é aí que veste o traje, que acha muito bonito.
A família de Carolina Monteiro não tem raízes no Pinheiro Grande, nem na Chamusca. Como explica a O MIRANTE a mãe, Dulce Monteiro, de 53 anos, a família já estava farta de Lisboa. Consideram a capital insegura, barulhenta e suja, ao contrário de Pinheiro Grande, onde há lugar para a tradição, para caminhar tranquilamente e respirar “ar puro”. E foi essa a única motivação para a mudança.
Depois do desfile e da entrega de lembranças aos grupos convidados, os ranchos apresentaram alguns dos seus temas mais conhecidos, não tendo faltado o tradicional fandango ribatejano. O jogo do pau foi o momento mais aplaudido da actuação do grupo de Pinheiro Grande.


