Cultura | 16-09-2026 15:00

Pontével acelera sobre rodas na Corrida Mais Louca do Ribatejo

Pontével acelera sobre rodas na Corrida Mais Louca do Ribatejo
Participantes de várias idades deram tudo na descida mais louca de Pontével - foto O MIRANTE

Carrinhos de rolamentos voltaram a descer as ruas de Pontével numa prova em que ganhar é o menos importante. A Corrida Mais Louca do Ribatejo junta várias gerações, criatividade e muita adrenalina e é uma das tradições mais aguardadas das Festas em Honra de Nossa Senhora do Desterro.

Em Pontével não é preciso motor para acelerar. Bastam quatro rodas, alguma imaginação e coragem para enfrentar a descida. A Corrida Mais Louca do Ribatejo voltou a animar a vila na tarde de 5 de Setembro, integrada nas Festas em Honra de Nossa Senhora do Desterro, juntando participantes de várias idades e uma multidão ao longo do percurso. A corrida é uma celebração da tradição e do convívio. Há quem procure afinar a travagem, quem tente manter o carrinho inteiro até à meta e quem se emocione ao encontrar a multidão na curva junto ao recinto da festa.
Mónica Calixto, 50 anos, sabe bem o que isso significa. Participa há 11 anos e fez a primeira descida em 2015, um ano antes de o seu grupo de “Quarentões” assumir a organização dos festejos. Em Pontével, explica, a tradição começa muito antes dos 40 anos, com jantares, encontros e preparativos que ajudam a manter unido cada grupo. “Se somos de Pontével, nascemos com este bichinho de que, quando fizermos 40 anos, vamos organizar a festa”, diz. O carrinho do grupo mantém praticamente a mesma estrutura desde 2015, embora vá recebendo adaptações. A primeira versão recriava o Moinho do Lobo, um dos símbolos da terra, e este ano a decoração assinalava os 50 anos dos participantes. Para Mónica Calixto, o mais importante continua a ser chegar ao fim e aproveitar o momento. “O nosso lema é o convívio, é a participação. É irmos e desfrutarmos. É uma alegria”, resume.
A tradição já tem sucessores. Diogo Luís e João Varanda, ambos com 25 anos, participaram pelo quarto ano consecutivo e vestiram camisolas onde se lia “Quarentões 2041”, o ano em que lhes caberá organizar a festa. Cresceram a ver os pais participar e começam desde já a preparar o futuro. O carrinho levou cerca de duas semanas a construir e já resistiu a várias descidas. Na pista, a estratégia é simples. “O mais importante é não bater”, brinca João Varanda. Diogo Luís acrescenta que é preciso sobretudo “consistência”. Vítor Mendão, 53 anos, é já um veterano destas andanças e participou em “quase todos” os anos. Foi “Quarentão” em 2013 e, desta vez, partilhou o carrinho com o filho, de 19 anos. A estrutura mantém-se, mas a decoração muda todos os anos. Em 2026 surgiu revestida com sacos de cimento, numa homenagem à empresa de materiais de construção onde trabalha. Antes já passou pela corrida em forma de retroescavadora e até de grade de cerveja. “A velocidade dá mais adrenalina, mas participar é que é engraçado”, afirma.

Futuros quarentões já vestem a camisola
Quem vai assumir a festa em 2027 também já está em preparação. Os futuros “Quarentões” participaram este ano com um carrinho inspirado na caspiada, bolo tradicional de Pontével, recriando o processo desde a preparação no forno até ao momento em que chega à mesa. João Xavier, porta-voz do grupo, diz que a ambição para o próximo ano passa por “fazer o melhor para a terra”, mantendo uma festa capaz de juntar habitantes e visitantes. Filho de antigos “Quarentões” e ajudante da organização há vários anos, não tem dúvidas sobre a força desta tradição. “É daquelas coisas que acaba por entranhar e está no nosso sangue”, resume.

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