Movimento Palco leva juventude, cultura e animação às ruas de Almeirim
Criada em 2022, a Associação Movimento Palco tem vindo a ganhar espaço na vida cultural de Almeirim. A Noite Branca é o evento de maior dimensão de uma estrutura feita sobretudo de voluntários e em que jovens têm voz activa na programação e na organização.
A vontade de aproximar os jovens das artes e criar novas propostas culturais em Almeirim esteve na origem da Associação Movimento Palco, fundada em 2022. A estrutura nasceu da união dos grupos Dreamers e Five Vox, que partilhavam vários elementos e perceberam que fazia sentido avançar para uma organização comum. “Precisávamos de trabalhar de uma forma mais organizada e ter outra estrutura de apoio que uma associação contém”, explica a O MIRANTE o presidente, João Gasopo. A associação começou com cerca de 20 elementos e conta actualmente com aproximadamente 40 associados, com idades que vão dos cinco aos 80 anos. Teatro, dança, música e outras expressões artísticas fazem parte de uma actividade que se estende ao longo do ano e que envolve parcerias com o município, freguesias, associações e empresas locais.
João Gasopo, 29 anos, explica que um dos objectivos passa por trazer à cidade propostas culturais que são mais frequentes nos grandes centros urbanos. O Movimento Palco tem promovido sessões de stand-up comedy, teatro, musicais, concertos, actuações de DJ e outros espectáculos. “A nossa ideia é trazer a Almeirim aquilo a que os jovens não têm acesso muito fácil”, refere. A Noite Branca tornou-se a principal montra do trabalho da associação. A primeira edição, há quatro anos, começou com dois palcos, mas o evento cresceu e conta actualmente com cinco. Música, animação e comércio local juntam-se numa noite pensada para levar milhares de pessoas ao centro da cidade. A edição anterior reuniu cerca de sete mil pessoas.
A dimensão do evento contrasta com a reduzida equipa que o coloca de pé. Cerca de 20 voluntários distribuem-se pelos palcos e pelo recinto, dão apoio aos artistas e comerciantes e acompanham toda a logística. A preparação começa praticamente um ano antes. “É uma festa financeiramente pesada para uma noite”, admite João Gasopo, sublinhando a importância dos apoios do município, da Junta de Freguesia de Almeirim e de vários patrocinadores locais. A programação procura chegar a diferentes gerações. “A Noite Branca é uma festa para a família, desde a criança dos zero até ao avô com 100 anos”, diz o presidente. Uma das particularidades é serem os jovens da associação a ajudar a escolher o artista principal. A partir daí é construído um programa diversificado, que este ano inclui DJs, roda de samba, jiu-jitsu e zumba.
Para Filipa Canavilhas, 22 anos, presidente da assembleia geral, as muitas horas de trabalho acabam compensadas quando a cidade adere às iniciativas. “Quando chegamos ao final, percebemos que vale a pena as noites mal dormidas e o cansaço”, afirma. Carolina Florêncio, também com 22 anos e vice-presidente, destaca o sentimento de ver a população participar: “Nós fizemos isto acontecer, fomos nós que organizámos isto”. O Movimento Palco pretende continuar a crescer e manter uma programação regular. Entre os próximos projectos estão um espectáculo de Natal com o grupo mais jovem de teatro, a continuidade do ciclo de stand-up comedy e uma iniciativa de maior dimensão que, para já, permanece no segredo dos responsáveis.
João Gasopo considera que o balanço dos primeiros anos é positivo, sobretudo pela capacidade de aproximar os mais novos do associativismo. “Temos contribuído para cativar vários jovens não só para as artes e para a cultura, mas também para a vida associativa”, afirma. Para Carolina Florêncio, é essa dimensão colectiva que melhor define o Movimento Palco: “Fazer parte de uma organização é muito mais do que organizar eventos. É unir uma terra, tornar a cidade mais dinâmica e fazer a diferença”.


