Cultura | 25-09-2026 18:00

No Entroncamento há uma garagem onde cabem carros, aviões, tanques e dezenas de amigos

No Entroncamento há uma garagem onde cabem carros, aviões, tanques e dezenas de amigos
Hélder Simões tem mais de cinco mil miniaturas de veículos, aviões, helicópteros e tanques de guerra num espaço que também é de convívio de amigos - foto O MIRANTE

Hélder Simões tem mais de cinco mil miniaturas que transformaram o rés-do-chão que poderia ser uma mera garagem do Entroncamento num museu improvisado. Um local que podia ser uma garagem do cabo da GNR na reserva, mas que é também o ponto de encontro de amigos, onde convívios e boa disposição dividem espaço com aviões, helicópteros, tanques de guerra, táxis americanos e da Madeira e muitos carros, motos e camiões.

Hélder Simões, cabo da GNR na reserva, já ultrapassou as cinco mil réplicas de carros, motos, aviões, helicópteros, autocarros, camiões… que começou a juntar há 18 anos. As miniaturas estão estacionadas num rés-do-chão de um prédio na zona norte do Entroncamento, onde reside, que é meio museu, meio sala de convívio, e onde nunca falta boa disposição. As vitrinas com as peças, algumas oferecidas por amigos, partilham o local que deixou de ser uma mera garagem com uma mesa corrida, bancos, cadeiras para sentar mais de três dezenas de convivas, fogões, frigorífico, máquina de imperial, mesa de snooker, cachecóis e camisolas de clubes e muitas recordações.
O guarda que foi chefe de uma equipa do destacamento de intervenção do comando territorial de Santarém, começou a coleccionar porque gostava e, com o tempo, o filho, João Simões, juntou-se à aventura. Hoje, as vitrinas estão cheias de peças, algumas de exemplares históricos, como carros de combate alemães, russos e franceses, táxis americanos e os característicos táxis da Madeira. Há também réplicas dos antigos carros de praça portugueses, pretos com o tejadilho verde.
Entre as peças mais curiosas está uma réplica do Alouette II, o helicóptero ligeiro francês que marcou operações da Força Aérea Portuguesa (FAP) e da Guarda Nacional Republicana entre os anos 1950 e 1990, e que ficou famoso nas missões na Guiné, Angola e Moçambique durante a Guerra Colonial. A GNR operou quatro unidades entre 1984 e 1993, sempre com pilotos da FAP, para fiscalização de tráfego e observação.
Algumas miniaturas, sobretudo as de maior escala, chegam aos 200 euros, mas Hélder garante que o valor está na paixão e não no preço. O espaço é também a sede improvisada do Mazon Club, uma agremiação informal, mas organizada, de amigos que se junta para conviver, fazer almoçaradas ou simplesmente estar a gozar o tempo numa conversa ou num jogo. Quem é convidado para os almoços tem de levar uma garrafa de vinho. À mesa chegam a sentar-se mais de três dezenas de convivas para provar os cozinhados de Víctor Troncho, que já ganhou fama entre os visitantes.
No local ainda há espaço para mais vitrinas e, sendo o Entroncamento uma terra de comboios e histórias improváveis, podem começar a chegar os veículos que andam sobre carris, uma área que está a faltar na colecção. E para fazer jus à designação de terra dos fenómenos merece um museu de miniaturas num local com aromas a sopa de ossos à lavrador, a costeletas do cachaço de cebolada, jardineira de frango e outras iguarias.

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