Alenquer investiu 400 mil euros na Alma do Vinho para puxar pelo turismo
A oitava edição da Alma do Vinho terminou com Alenquer novamente de portas abertas ao vinho, à gastronomia e à cultura, num certame que a câmara municipal quer afirmar como uma das principais âncoras do enoturismo no concelho.
A Alma do Vinho voltou a colocar Alenquer no centro do mapa vitivinícola nacional durante quatro dias, com vinho, gastronomia, música e actividades ligadas às tradições das vindimas. O festival, que decorreu no Parque Urbano da Romeira, contou com a participação de mais de 35 produtores e cerca de 300 vinhos regionais. No primeiro dia do festival, o presidente da Câmara de Alenquer, João Nicolau, apontava como objectivo aproximar a edição deste ano dos cerca de 35 mil visitantes registados no ano passado, admitindo que o aumento dos preços dos combustíveis e das viagens pudesse ter impacto na presença de estrangeiros.
Para o autarca, a importância da Alma do Vinho vai muito além das vendas realizadas durante o festival. O edil considera que o certame funciona como uma montra para os produtores, permitindo aos visitantes conhecer vinhos e marcas que podem voltar a procurar posteriormente.
O evento reúne produtores de toda a região vitivinícola de Lisboa, entre grandes produtores e pequenos projectos, incluindo vários de Alenquer. Para o autarca, a edição deste ano teve ainda um significado especial depois de um ano difícil para os viticultores, marcado por perdas nas vinhas devido ao mau tempo.
O impacto económico global da Alma do Vinho ainda não está contabilizado. João Nicolau admite que a autarquia terá de realizar um estudo para medir o retorno do investimento, mas afirma que não tem dúvidas de que o impacto económico do evento ultrapassa os 400 mil euros investidos pelo município nesta edição. O autarca aponta o alojamento local, a restauração e os restantes negócios ligados ao turismo como alguns dos sectores beneficiados pelo aumento da procura durante o festival. Há alojamentos locais que ficam esgotados meses antes da Alma do Vinho e estão em desenvolvimento novos projectos hoteleiros no concelho.
Na inauguração, o secretário de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Regional, Hélder Reis, destacou igualmente a importância da valorização dos recursos endógenos para o desenvolvimento dos territórios. “Já não basta construir infraestruturas, é necessário construir oportunidades”, afirmou. O governante considerou ainda que a Alma do Vinho representa “uma afirmação de confiança nos nossos territórios, nas nossas empresas e pessoas”, defendendo a valorização dos produtos locais, da cultura e do património como factores de desenvolvimento regional.
Pintar sem compromisso para descobrir o resultado
A Alma do Vinho também serviu de montra para alguns artistas mostrarem os seus trabalhos aos visitantes. Foi o caso de Diogo de Siqueira, 69 anos, que vive em Ota e pinta desde 1983. Trabalhou durante mais de quatro décadas nas áreas dos seguros e da restauração, mantendo sempre a pintura como uma actividade paralela. Frequentou a Sociedade Nacional de Belas-Artes, estudou fotografia, passou pelo Ar.Co e frequentou uma disciplina de desenho de figura humana na Faculdade de Belas-Artes.
Actualmente dedica mais tempo à pintura, sobretudo a óleo, e apresentou no festival a série “o prazer do descompromisso”, uma forma de pintar sem uma ideia definida à partida e deixar que o próprio trabalho indique o caminho. “Não há compromisso nenhum quando se começa a pintar e depois logo se vê o que acontece”, explica. O compromisso surge depois, quando começa a perceber o que está na tela e procura fazer com que o resultado “faça sentido”.


