Cultura | 27-09-2026 18:00

Alenquer investiu 400 mil euros na Alma do Vinho para puxar pelo turismo

Alenquer investiu 400 mil euros na Alma do Vinho para puxar pelo turismo
Alma do Vinho em Alenquer contou com 35 produtores e mais de três centenas de vinhos regionais - foto O MIRANTE

A oitava edição da Alma do Vinho terminou com Alenquer novamente de portas abertas ao vinho, à gastronomia e à cultura, num certame que a câmara municipal quer afirmar como uma das principais âncoras do enoturismo no concelho.

A Alma do Vinho voltou a colocar Alenquer no centro do mapa vitivinícola nacional durante quatro dias, com vinho, gastronomia, música e actividades ligadas às tradições das vindimas. O festival, que decorreu no Parque Urbano da Romeira, contou com a participação de mais de 35 produtores e cerca de 300 vinhos regionais. No primeiro dia do festival, o presidente da Câmara de Alenquer, João Nicolau, apontava como objectivo aproximar a edição deste ano dos cerca de 35 mil visitantes registados no ano passado, admitindo que o aumento dos preços dos combustíveis e das viagens pudesse ter impacto na presença de estrangeiros.
Para o autarca, a importância da Alma do Vinho vai muito além das vendas realizadas durante o festival. O edil considera que o certame funciona como uma montra para os produtores, permitindo aos visitantes conhecer vinhos e marcas que podem voltar a procurar posteriormente.
O evento reúne produtores de toda a região vitivinícola de Lisboa, entre grandes produtores e pequenos projectos, incluindo vários de Alenquer. Para o autarca, a edição deste ano teve ainda um significado especial depois de um ano difícil para os viticultores, marcado por perdas nas vinhas devido ao mau tempo.
O impacto económico global da Alma do Vinho ainda não está contabilizado. João Nicolau admite que a autarquia terá de realizar um estudo para medir o retorno do investimento, mas afirma que não tem dúvidas de que o impacto económico do evento ultrapassa os 400 mil euros investidos pelo município nesta edição. O autarca aponta o alojamento local, a restauração e os restantes negócios ligados ao turismo como alguns dos sectores beneficiados pelo aumento da procura durante o festival. Há alojamentos locais que ficam esgotados meses antes da Alma do Vinho e estão em desenvolvimento novos projectos hoteleiros no concelho.
Na inauguração, o secretário de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Regional, Hélder Reis, destacou igualmente a importância da valorização dos recursos endógenos para o desenvolvimento dos territórios. “Já não basta construir infraestruturas, é necessário construir oportunidades”, afirmou. O governante considerou ainda que a Alma do Vinho representa “uma afirmação de confiança nos nossos territórios, nas nossas empresas e pessoas”, defendendo a valorização dos produtos locais, da cultura e do património como factores de desenvolvimento regional.

Diogo de Siqueira expôs os seus quadros na Alma do Vinho - foto O MIRANTE

Pintar sem compromisso para descobrir o resultado

A Alma do Vinho também serviu de montra para alguns artistas mostrarem os seus trabalhos aos visitantes. Foi o caso de Diogo de Siqueira, 69 anos, que vive em Ota e pinta desde 1983. Trabalhou durante mais de quatro décadas nas áreas dos seguros e da restauração, mantendo sempre a pintura como uma actividade paralela. Frequentou a Sociedade Nacional de Belas-Artes, estudou fotografia, passou pelo Ar.Co e frequentou uma disciplina de desenho de figura humana na Faculdade de Belas-Artes.
Actualmente dedica mais tempo à pintura, sobretudo a óleo, e apresentou no festival a série “o prazer do descompromisso”, uma forma de pintar sem uma ideia definida à partida e deixar que o próprio trabalho indique o caminho. “Não há compromisso nenhum quando se começa a pintar e depois logo se vê o que acontece”, explica. O compromisso surge depois, quando começa a perceber o que está na tela e procura fazer com que o resultado “faça sentido”.

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