Golegã quer reforçar cultura e turismo para além da “capital do cavalo”
Município quer afirmar o concelho com uma oferta cultural mais regular e diversificada, valorizando também património ligado a José Saramago e Carlos Relvas. António Camilo aponta ainda a habitação como condição essencial para atrair novos residentes.
A Golegã quer reforçar em 2027 a aposta na cultura e no turismo, procurando afirmar o concelho para além da imagem de “capital do cavalo”. O presidente da câmara, António Camilo, considera que a nova programação do Cine-Teatro Elisa Tavares Bonacho pode contribuir para atrair novos públicos e dar maior visibilidade a outros activos do território. “A Golegã é conhecida pela capital do cavalo, o cavalo é o ex-líbris da Golegã, mas nós temos outras coisas no concelho que merecem destaque”, afirmou o autarca a O MIRANTE. António Camilo aponta a cultura, a educação e o património como áreas com potencial para reforçar a atractividade do concelho, destacando a ligação a José Saramago, nascido na Azinhaga, e a importância da Casa-Estúdio Carlos Relvas.
O objectivo passa por criar uma oferta cultural regular ao longo do ano e levar mais pessoas a conhecer esses espaços. “Queremos trazer mais as pessoas à música, ao teatro e ao cinema, mas também trazer pessoas dos concelhos limítrofes”, sublinha. O presidente da câmara destaca ainda o envolvimento do Colectivo Persona Varia e de nomes como Joaquim Nicolau e Carlos Cunha na construção da programação, considerando essencial envolver simultaneamente a comunidade local e os públicos da região. A cultura, defende, pode assumir um papel relevante na dinamização económica e social do concelho.
António Camilo sublinha, no entanto, que o crescimento da Golegã exige uma estratégia mais ampla. O cavalo continuará a ser a principal marca do território, mas o município quer diversificar a oferta turística e cultural e, em paralelo, aumentar a capacidade de habitação. “Para haver mais pessoas, tem que haver habitação”, afirma. A autarquia está a preparar medidas que incluem a recuperação de casas devolutas e a criação de habitação com arrendamento controlado. “Todas as áreas estão interligadas para um concelho funcionar bem e como um todo”, conclui, reconhecendo que há ainda “muito trabalho pela frente”.
Joaquim Nicolau quer mais público nos teatros do Ribatejo
Há cerca de 30 anos com casa na Moçarria, concelho de Santarém, Joaquim Nicolau divide-se entre o Ribatejo e Lisboa e foi essa ligação à região que pesou na decisão de aceitar a direcção artística do Colectivo Persona Varia. Já conhecia vários elementos da associação e viu no projecto uma oportunidade de participar em iniciativas culturais fora dos grandes centros. “Precisavam de um director artístico e eu decidi aceitar”, explica a O MIRANTE. Para o actor e encenador, a participação cultural é também uma responsabilidade cívica. “O maior crime é a nossa passividade e não fazer nada”, afirma, defendendo que é preciso “colaborar e sermos mais activos” para aproximar as pessoas dos teatros.
Joaquim Nicolau aponta a renovação do Cine-Teatro Elisa Tavares Bonacho, na Golegã, como um exemplo positivo, mas lembra que outros equipamentos da região continuam à espera de nova vida. Entre eles está o Teatro Rosa Damasceno, em Santarém, que espera voltar a ver aberto ao público. “Numa cidade deve existir um hospital, um tribunal, uma esquadra de polícia e deve também existir um teatro e um jornal”, defende, sublinhando que a cultura não pode ser tratada como dispensável. Criado há cerca de ano e meio, o Colectivo Persona Varia quer crescer para além da Golegã, mas sem “dar um passo maior que a perna”. A prioridade é consolidar o trabalho antes de assumir novos compromissos. Para o director artístico, ter uma sala renovada e programação regular não chega. “Podemos fazer coisas bonitas, mas não passarão de ensaios se não tivermos uma única pessoa na plateia”, sublinha. O objectivo passa por criar novos públicos, incluindo jovens e pessoas mais velhas, e perceber que propostas funcionam melhor. A meta é “levar mais cultura às pessoas”, aumentar a participação e “manter viva a cultura e as artes”.


