Cultura | 27-09-2026 07:00

Tecnologia transforma agricultura mas experiência continua a mandar no campo

Tecnologia transforma agricultura mas experiência continua a mandar no campo
Luís Fidalgo, gerente da Casa Agrícola Fidalgo - foto arquivo O MIRANTE

Luís Fidalgo, gerente da Casa Agrícola Fidalgo, considera que a evolução tecnológica trouxe mais eficiência à agricultura, mas defende que o conhecimento, a capacidade de observação e a experiência continuam a ser decisivos para produzir com qualidade.

A agricultura mudou profundamente nas últimas décadas. As máquinas substituíram parte do trabalho manual, o GPS entrou nos tractores e novas variedades começaram a ser utilizadas para responder às exigências da produção e às alterações do clima. Luís Fidalgo, gerente da Casa Agrícola Fidalgo, reconhece as vantagens da tecnologia, mas garante que há conhecimentos que nenhuma máquina consegue substituir. A propósito do Dia Mundial do Agrónomo, assinalado a 13 de Setembro, o engenheiro agrónomo destaca o peso da experiência numa profissão onde muitas decisões continuam a ser tomadas no terreno. Ligado desde cedo à agricultura por tradição familiar, criou em 2008 a Casa Agrícola Fidalgo, empresa cuja actividade está fortemente associada à produção de melão.
Luís Fidalgo assistiu ao aumento da mecanização e considera a introdução do GPS nos tractores uma das mudanças mais importantes dos últimos anos. A tecnologia permite trabalhar com maior precisão, aproveitar melhor as faixas de terreno e aumentar a área cultivada em menos tempo. Mas há tarefas onde o conhecimento humano continua a ser indispensável. A colheita do melão é um dos exemplos. Saber distinguir um fruto pronto a colher de outro que ainda necessita de alguns dias exige experiência, atenção e conhecimento da cultura.
O mesmo acontece na escolha dos produtos e técnicas utilizados na exploração. Luís Fidalgo diz que os agricultores são constantemente confrontados com novas soluções apresentadas como inovadoras e considera essencial saber separar aquilo que pode ser útil do que não se adapta às necessidades de cada exploração. O trabalho de um engenheiro agrónomo também vai hoje muito além do acompanhamento técnico das culturas. “Numa empresa agrícola é necessário saber um pouco de tudo”, refere, lembrando que a actividade passa pelo campo, pela gestão e pela componente comercial.

“Não há dois anos iguais”
A imprevisibilidade continua a ser um dos principais desafios da agricultura. “Não há dois anos iguais”, afirma Luís Fidalgo. Um bom ano pode ser seguido por vários mais difíceis, devido à meteorologia, aos preços, aos custos de produção ou às condições do mercado. A subida dos custos obriga ainda a procurar formas de produzir de maneira mais eficiente, sem comprometer a qualidade nem a preocupação ambiental. As alterações climáticas acrescentam novos desafios e têm levado à procura de variedades mais adaptadas. No Ribatejo, refere, têm surgido soluções capazes de apresentar melhores resultados em determinadas condições.
Apesar das dificuldades, Luís Fidalgo não tem dúvidas de que a agricultura exige uma forte ligação pessoal à profissão. “É uma profissão que é preciso ter paixão por ela”, afirma. O campo não obedece a horários rígidos e, quando as condições são favoráveis, é necessário aproveitar o momento. Para o responsável da Casa Agrícola Fidalgo, o futuro passará inevitavelmente por mais tecnologia, mas sem dispensar quem sabe interpretar aquilo que acontece no terreno. As máquinas ajudam a produzir mais e melhor, mas continuam a ser necessárias pessoas capazes de decidir o que plantar, quando colher e como responder aos problemas que vão surgindo.

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