Museu Diocesano de Santarém guarda séculos de história, lendas e segredos
O Cristo que, segundo a lenda, soltou um braço da cruz para testemunhar a verdade de uma jovem e os pequenos buracos no tecto da Sé por onde antigos seminaristas lançavam pétalas de rosa são algumas das histórias que se escondem no Museu Diocesano de Santarém. O espaço assinalou 12 anos de existência com visitas gratuitas.
Entrar no Museu Diocesano de Santarém é percorrer vários séculos de história religiosa e artística, mas também descobrir lendas, tradições e episódios que ajudam a compreender a relação da cidade com a Igreja. Foi esse o convite feito no sábado, 12 de Setembro, durante uma das visitas guiadas gratuitas realizadas para assinalar o 12.º aniversário do museu. Pelas salas sucedem-se pinturas, esculturas e objectos litúrgicos, mas são muitas vezes as histórias por detrás das peças que prendem a atenção dos visitantes. Entre elas está a do Cristo do Mont’Iraz, a peça mais antiga do Museu Diocesano, datada do século XIII e proveniente da antiga Igreja de Santa Iria, na Ribeira de Santarém.
A escultura representa Cristo na cruz com o braço direito desprendido da madeira, uma particularidade ligada a uma das lendas mais conhecidas do acervo. Conta a tradição que uma jovem pastora se terá casado em segredo, numa ermida, com um jovem nobre que mais tarde negou o casamento e a paternidade do filho de ambos. Perante a comunidade, a mulher chamou Cristo como testemunha da sua verdade. A imagem terá então soltado o braço direito da cruz e inclinado o corpo, confirmando o seu testemunho. A escultura é hoje uma das peças que mais curiosidade desperta entre os visitantes e, devido ao seu valor histórico e artístico, já integrou exposições temporárias fora de Portugal.
Nem todas as histórias estão dentro das vitrinas. Quem levantar os olhos para o tecto da Sé Catedral de Santarém pode descobrir pequenos buracos associados a uma antiga tradição dos seminaristas. No dia 8 de Dezembro, festa da Imaculada Conceição, padroeira da diocese e da catedral, os jovens subiam à parte superior da fachada para lançarem pétalas de rosa durante a procissão. Um pormenor quase invisível para quem passa pelo espaço sem conhecer a história.
O interesse pelo património mantém-se 12 anos depois da abertura do museu. Durante a visita foi explicado a O MIRANTE que as iniciativas guiadas continuam a atrair grupos portugueses, mas também muitos visitantes estrangeiros interessados na história e no património religioso de Santarém. Aberto ao público em 2014, o Museu Diocesano tem assumido um papel de preservação e divulgação do património artístico e religioso da Diocese de Santarém.


