Trajes, tradições e memórias do Ribatejo desfilaram no coração de Santarém
Largo do Seminário recebeu a quarta edição do Desfile do Traje Ribatejano, que levou ao centro histórico de Santarém dezenas de figurantes e quadros etnográficos. Trabalho no campo, namoro, casamento, religiosidade e luto ajudaram a contar a história das gentes da região através da roupa que usavam.
O Largo do Seminário, no centro histórico de Santarém, transformou-se numa montra da identidade e das tradições ribatejanas com a realização da quarta edição do Desfile do Traje Ribatejano. Depois de passar por Azambuja, Golegã e Coruche, a iniciativa chegou pela primeira vez à capital de distrito, numa organização conjunta de sete grupos e ranchos folclóricos do concelho, com o apoio da Câmara de Santarém e da Federação do Folclore Português. Perante várias dezenas de espectadores, o desfile mostrou que a roupa também conta a história de uma região. Os vários quadros vivos percorreram diferentes momentos da vida das populações, desde a infância às duras fainas agrícolas, com destaque para a recriação da tradicional Praça das Jornas e para os ciclos do pão, da vinha e do arroz. Em evidência estiveram a simplicidade e a funcionalidade das roupas usadas por quem trabalhava no campo.
Mas a memória ribatejana não se fez apenas de trabalho. O namoro e o casamento também tiveram lugar no desfile, com a evocação de costumes como a partilha do arroz-doce e da ferradura, também conhecida como bolo das noivas. A religiosidade popular foi recordada através do canto quaresmal das “Excelências”, enquanto outros quadros mostraram as formas como o luto se reflectia no vestuário e na vida das comunidades. Ao lado dos trajes de trabalho desfilaram roupas domingueiras e de gala, bem como peças associadas às famílias mais abastadas. Entre os exemplares que mais chamaram a atenção estiveram os fatos do Pego, ornamentados com alamares em prata. O desfile terminou com outras expressões da cultura popular, nomeadamente as fogaceiras e os emblemáticos Tabuleiros de Tomar, numa tarde dedicada à preservação e divulgação do património cultural imaterial. A iniciativa contou com a presença do presidente da Câmara de Santarém, de representantes da União de Freguesias e do presidente da Federação do Folclore Português.


