Raízes Vivas quer levar a identidade ribatejana além-fronteiras
Festival levou gastronomia, tradições e cultura ribatejanas às Portas do Sol, em Santarém, durante dois dias. Organização quer consolidar o Raízes Vivas no panorama nacional e aponta a internacionalização como o próximo grande passo do projecto.
O Festival Raízes Vivas fechou a segunda edição com a ambição de crescer e levar a identidade ribatejana além-fronteiras. Durante dois dias, o Jardim das Portas do Sol, em Santarém, transformou-se numa montra da gastronomia, tradições, ofícios e cultura da região, reunindo 20 chefs, produtores, artesãos, agricultores, músicos e outros agentes ligados ao território. Promovido pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo (ERTAR), em parceria com a Câmara de Santarém e a Associação Terras Vivas, o festival mudou este ano de cenário e ganhou dimensão. Depois da estreia, em 2025, na aldeia avieira das Caneiras, passou para o centro histórico de Santarém e aumentou de um para dois dias, com a organização a estimar uma afluência entre 4.500 e cinco mil visitantes.
José Manuel Santos, presidente da ERTAR, considera o Raízes Vivas um instrumento importante para promover turisticamente o território e destacou o reforço do investimento nesta segunda edição. A gastronomia continua a ser um dos pilares, mas a aposta pretende ir mais longe. “Não é só um evento gastronómico”, frisou, defendendo que o festival mostra a essência do Ribatejo nas dimensões cultural, social e turística. O objectivo passa agora por consolidar o Raízes Vivas no mercado nacional antes de avançar para uma nova etapa de internacionalização e promoção do Ribatejo junto de públicos estrangeiros, prevista a partir de 2028.
O presidente da Câmara de Santarém, João Teixeira Leite, destacou também o crescimento do festival, considerando-o “mais um grande momento de Santarém” e uma oportunidade para valorizar a identidade, as tradições e a gastronomia do território. Com curadoria do chef Rodrigo Castelo, a programação juntou gastronomia, debates, música, artesanato e iniciativas dedicadas à sustentabilidade, biodiversidade e alimentação. A festa brava, o cavalo e os campinos marcaram igualmente presença, reforçando a ligação à identidade ribatejana. Rodrigo Castelo sublinhou que um dos desafios desta edição foi trazer “a ruralidade” para o centro da cidade. A Rua dos Ofícios e a praça de produtores e artesãos procuraram também preservar conhecimentos e actividades tradicionais que correm o risco de desaparecer. O mentor do projecto admite que o Raízes Vivas possa continuar a crescer, mas rejeita uma expansão feita apenas em nome da dimensão. A prioridade, defende, é manter um festival “mais condensado e com conteúdo”, preservando a identidade que esteve na origem da iniciativa.


