Expo-Feira de Benavente mostra que se pode coleccionar quase tudo
O Centro Cultural de Benavente recebeu a 23.ª edição de uma iniciativa que reúne colecções de várias áreas e assinalou também o 34.º aniversário do Núcleo Filatélico e Numismático de Benavente.
Uma colecção pode começar com um copo de cerveja trazido de Macau, crescer numa mercearia de bairro e, décadas depois, ocupar uma sala inteira de casa. Foi assim com Fernando Ferreira, residente em Foros de Salvaterra, que visitou pela primeira vez a Expo-Feira Nacional de Coleccionismo de Benavente e não saiu de mãos vazias. “Vi aqui dois que não tinha e não resisti a juntá-los à colecção”, conta. Aos seis anos recebeu de uma pessoa que tinha feito tropa em Macau um copo de cerveja chinesa. Foi o primeiro de uma colecção que hoje ronda os 4.300 exemplares, sobretudo de marcas publicitárias.
O negócio dos pais, proprietários de uma mercearia de bairro, ajudou a alimentar o gosto ao longo dos anos. Mais tarde, a profissão da filha, assistente de bordo, também contribuiu para fazer chegar novos exemplares. Fernando Ferreira tem uma sala dedicada aos copos e deslocou-se à feira acompanhado pela mulher, Natália.
Também António Cardoso, residente em Amora, concelho do Seixal, aproveitou a exposição para conhecer Benavente. “Não sou um coleccionador acérrimo, mas gosto imenso de colecções”, explica. Convidou o amigo Jaime Silva, fotógrafo, para um passeio pela feira, seguido de almoço no Ribatejo. Em casa guarda uma caixa com cerca de 2500 esferográficas e já passou por diferentes fases do coleccionismo. Durante anos reuniu mais de 10 mil selos, que acabou por oferecer a uma prima. Também chegou a ter latas de bebidas expostas na cozinha, até que, recorda com humor, a mulher lhe fez um ultimato.
António Cardoso adquiriu recentemente um espaço onde pretende tornar visíveis algumas das peças que foi juntando. Entre elas estão ovos da quinta, legos, marcadores de livros, moedas e pacotes de açúcar. Outras poderão ficar guardadas, até porque, diz, os filhos não demonstram interesse em continuar algumas das colecções.
Eduardo Simões chegou do Carregado igualmente pela primeira vez. Colecciona objectos relacionados com automóveis, consolas e moedas e está habituado a percorrer feiras de bagageira. Desta vez decidiu conhecer a iniciativa de Benavente. “Gostei”, resume. A deslocação acabou também por encaixar no programa do dia, uma vez que tinha uma festa no Porto Alto e a feira ficou de passagem.
A XXIII Expo-Feira Nacional de Coleccionismo reuniu no Centro Cultural de Benavente colecções de diferentes áreas, entre calendários, postais, selos, porta-chaves, canetas e outros objectos. A iniciativa assinalou ainda o 34.º aniversário do Núcleo Filatélico e Numismático de Benavente e prestou homenagem aos Bombeiros Voluntários de Benavente.
Entre os participantes esteve José Paulo Soares, com uma colecção de lápis construída ao longo de mais de 25 anos e particularmente dedicada a exemplares antigos e publicitários. A exposição contou igualmente com trabalhos de Pedro Candelária, incluindo uma pintura a óleo dedicada a Manuel Soares, fundador do Núcleo Filatélico e Numismático de Benavente.


