Cultura | 14-10-2026 15:00

Legado de Alves Redol tem nova casa de portas abertas em Vila Franca de Xira

Legado de Alves Redol tem nova casa de portas abertas em Vila Franca de Xira
Maria Odete Capucha, presidente da Associação Alves Redol, mostrou a nova sede cedida pelo município à comunidade - foto O MIRANTE

Mais do que uma mudança de instalações, a inauguração da nova sede da Associação Alves Redol representa uma nova etapa na vida de uma instituição que quer manter vivo o legado do escritor e continuar a ser um espaço de cultura, encontro e participação em Vila Franca de Xira.

A cultura é resistência e uma forma de transformar o mundo e nunca como hoje a mensagem de Alves Redol foi tão importante. A consideração foi deixada na inauguração da nova sede da associação Alves Redol, que está a ganhar dinâmica e quer ser uma referência cultural na cidade. Numa altura em que, nas palavras dos responsáveis da associação, o mundo e a sociedade atravessam uma encruzilhada marcada por incertezas, conflitos e profundas transformações, a cultura e o papel da associação é apresentada como uma necessidade e também como um espaço de resistência, solidariedade, liberdade e pensamento.
A nova sede, situada na Rua Comendador Miguel Esguelha, no centro de VFX, representa uma nova etapa para a Associação Alves Redol, que passa a contar com instalações com melhores condições para desenvolver a sua actividade cultural, social e cívica. A mudança resulta do apoio do Município de Vila Franca de Xira, através de um contrato de comodato celebrado com a associação.
Durante a inauguração, no dia 26 de Setembro, o presidente do município, Fernando Paulo Ferreira (PS), sublinhou a importância da cultura num período de incerteza. “Praticar solidariedade é cada vez mais preciso. E é quando as incertezas andam mais no ar que a cultura faz mais falta. A cultura é resistência e uma forma de transformar o mundo”, defendeu.
Para a presidente da colectividade, Maria Odete Capucha, a mudança para as novas instalações significa dar continuidade com dignidade ao que já vinha sendo feito. “Com mais espaço temos mais responsabilidades em levar a nossa actividade e projectar a nossa associação à sociedade vilafranquense”, sublinhou. A intenção é que a nova sede seja mais do que um local de funcionamento administrativo. Quer ser uma casa aberta, onde diferentes pessoas, ideias e expressões culturais possam encontrar espaço. “Será uma casa aberta à cultura, amizade, criatividade e diversificação. Uma casa onde se pode conversar, conviver, ouvir música, fazer teatro, pintar, jogar xadrez, visitar exposições, promover debates e, acima de tudo, pensar e trocar ideias”, explicou a presidente da direcção.
Antes de encontrar esta nova sede, a associação funcionou inicialmente no Café Central e, posteriormente, num espaço no Mercado Municipal. A mudança permite criar melhores condições para continuar e diversificar o trabalho desenvolvido. “Vivemos um momento histórico em que os novos gaibéus exigem estruturas que os apoiem, organizem e os incluam no trabalho. Um momento histórico em que os líderes mundiais, que deviam prover a nossa segurança e felicidade, empurram o mundo para um barranco de cegos”, criticou Maria Odete Capucha.
A inauguração teve também uma componente cultural, em sintonia com a missão da associação. A música esteve presente através da actuação da banda Cancioneiro Clandestino de VFX. A palavra de Alves Redol marcou igualmente a tarde. O conto “A Corneta de Barro”, da autoria do escritor, foi lido por Paulo de Cira, levando para a nova sede uma parte da missão que a associação assume: preservar e divulgar a obra do escritor, assim como a divulgação da obra de outros escritores portugueses e estrangeiros.

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