Legado de Alves Redol tem nova casa de portas abertas em Vila Franca de Xira
Mais do que uma mudança de instalações, a inauguração da nova sede da Associação Alves Redol representa uma nova etapa na vida de uma instituição que quer manter vivo o legado do escritor e continuar a ser um espaço de cultura, encontro e participação em Vila Franca de Xira.
A cultura é resistência e uma forma de transformar o mundo e nunca como hoje a mensagem de Alves Redol foi tão importante. A consideração foi deixada na inauguração da nova sede da associação Alves Redol, que está a ganhar dinâmica e quer ser uma referência cultural na cidade. Numa altura em que, nas palavras dos responsáveis da associação, o mundo e a sociedade atravessam uma encruzilhada marcada por incertezas, conflitos e profundas transformações, a cultura e o papel da associação é apresentada como uma necessidade e também como um espaço de resistência, solidariedade, liberdade e pensamento.
A nova sede, situada na Rua Comendador Miguel Esguelha, no centro de VFX, representa uma nova etapa para a Associação Alves Redol, que passa a contar com instalações com melhores condições para desenvolver a sua actividade cultural, social e cívica. A mudança resulta do apoio do Município de Vila Franca de Xira, através de um contrato de comodato celebrado com a associação.
Durante a inauguração, no dia 26 de Setembro, o presidente do município, Fernando Paulo Ferreira (PS), sublinhou a importância da cultura num período de incerteza. “Praticar solidariedade é cada vez mais preciso. E é quando as incertezas andam mais no ar que a cultura faz mais falta. A cultura é resistência e uma forma de transformar o mundo”, defendeu.
Para a presidente da colectividade, Maria Odete Capucha, a mudança para as novas instalações significa dar continuidade com dignidade ao que já vinha sendo feito. “Com mais espaço temos mais responsabilidades em levar a nossa actividade e projectar a nossa associação à sociedade vilafranquense”, sublinhou. A intenção é que a nova sede seja mais do que um local de funcionamento administrativo. Quer ser uma casa aberta, onde diferentes pessoas, ideias e expressões culturais possam encontrar espaço. “Será uma casa aberta à cultura, amizade, criatividade e diversificação. Uma casa onde se pode conversar, conviver, ouvir música, fazer teatro, pintar, jogar xadrez, visitar exposições, promover debates e, acima de tudo, pensar e trocar ideias”, explicou a presidente da direcção.
Antes de encontrar esta nova sede, a associação funcionou inicialmente no Café Central e, posteriormente, num espaço no Mercado Municipal. A mudança permite criar melhores condições para continuar e diversificar o trabalho desenvolvido. “Vivemos um momento histórico em que os novos gaibéus exigem estruturas que os apoiem, organizem e os incluam no trabalho. Um momento histórico em que os líderes mundiais, que deviam prover a nossa segurança e felicidade, empurram o mundo para um barranco de cegos”, criticou Maria Odete Capucha.
A inauguração teve também uma componente cultural, em sintonia com a missão da associação. A música esteve presente através da actuação da banda Cancioneiro Clandestino de VFX. A palavra de Alves Redol marcou igualmente a tarde. O conto “A Corneta de Barro”, da autoria do escritor, foi lido por Paulo de Cira, levando para a nova sede uma parte da missão que a associação assume: preservar e divulgar a obra do escritor, assim como a divulgação da obra de outros escritores portugueses e estrangeiros.


