Luísa Rosa José editou o seu livro de poemas “O Alentejo que eu não esqueci”
Poeta popular natural de Seda editou o primeiro livro da sua vida. O lançamento juntou muitos amigos e familiares. A capa do livro é da autoria de João Afonso Capelão Malheiro e a edição teve o patrocínio da Junta de Freguesia de Seda.
“O Alentejo que eu não esqueci” é o título de um livro de poemas de Luísa Rosa José que foi editado recentemente pela Editora O MIRANTE. O livro reúne todos os poemas de Luísa Rosa José que é, nesta data, uma utente da ERPI Nossa Senhora do Espinheiro, em Seda. O livro tem um prefácio da diretora do centro Patrícia Isabel Areias Cabeçana, que chama a atenção para o facto do livro de poemas ser um “retrato do passado e do presente: a memória de um Alentejo que não se apaga da lembrança”.
Luís Rosa José abre o livro com uma apresentação onde escreve que não teve estudos e que a sua vida foi só trabalhar, o que não a impediu de puxar pela imaginação. O livro teve lançamento público no dia 5 de Outubro, para uma plateia de muitos amigos e familiares. A edição é patrocinada pela Junta de Freguesia de Seda e tem o apoio da Câmara Municipal de Alter do Chão.
Dois poemas do livro que tem 130 páginas e pode ser pedido para a Junta de Freguesia de Seda:
Entrevista ao rio
I
Pergunto ao rio que passa
De onde vens e para onde vais
Venho da minha nascente
A onde não volto nunca mais
II
Pergunto ao rio que passa
Aonde vais tão contente
Vou seguindo o meu caminho
E esperando os meus afluentes
III
Pergunto ao rio que passa
Porque vais tão mansinho
Vou ajudar o moleiro
A moer o trigo no seu moinho
IV
Pergunto ao rio que passa
Porque vais tão devagar
Quero embalar as minhas águas
Antes de elas chegarem ao mar
V
Pergunto ao rio que passa
Porque as tuas águas vão turvas
Foram as terras que se arrastaram
Com a força das águas da chuva
VI
Pergunto ao rio que passa
Porque não fazes corrente
Porque as minhas águas fundas
Querem caminhar calmamente
A camponesa*
I
As alegres camponesas
Do tempo em que eu também era
Eram a alegria dos campos
Faziam entoar seus cânticos
Durante toda a Primavera
II
No meio das grandes campinas
Com o seu corpo curvado
Arrancando as ervas daninhas
Que faziam mal aos prados
III
E quando chegava o verão
Aquele sol quente que vinha do Céu
Tapavam seu rosto com um lenço
E com ajuda de um velho chapéu
IV
Camponesa mulher alegre
Tinhas brio e tradição
O teu trabalho era a escola
Onde aprendias a lição
V
A foice era a caneta
O trigo loiro era o papel
O teu suor era a tinta
Que corria da tua pele
VI
As tuas mãos calejadas
Do teu trabalho do campo
Eram como as mãos de outras fadas
Que tinham magia e encanto
VII
Camponesa mulher valente
Tinhas força e devoção
Tinhas fé em Deus eras crente
E o fruto do teu trabalho era pão.
*A camponesa antes dos anos de 1960


