Cultura | 21-10-2026 21:00

Feira dos Frutos Secos de Torres Novas também se faz de histórias de vida

Feira dos Frutos Secos de Torres Novas também se faz de histórias de vida
José Trincão Marques durante o certame - foto O MIRANTE

Antigo marceneiro encontrou nas feiras uma forma de complementar a reforma e manter-se activo. Há quase duas décadas que vende frutos secos e é presença habitual na Feira Nacional dos Frutos Secos, em Torres Novas, onde as histórias de vida também fazem parte da tradição.

Aos 73 anos, José Joaquim Batista Canhoto não pensa em deixar de trabalhar. Antigo marceneiro, trocou o fabrico de móveis pela venda de frutos secos e continua a percorrer o país de feira em feira. Na Feira Nacional dos Frutos Secos, em Torres Novas, é presença habitual há 16 ou 17 anos, mantendo uma actividade que começou por necessidade e acabou por se transformar numa forma de ocupar os dias e conviver com o público. Natural de Pinhal Novo, José Canhoto dedicou grande parte da vida à marcenaria, profissão que recorda com orgulho. Faz questão de explicar que um marceneiro fabrica móveis, enquanto um carpinteiro executa outros trabalhos em madeira. Quando chegou à reforma, percebeu que o dinheiro não chegava para todas as despesas e decidiu procurar uma alternativa. “Quando me reformei, as reformas não eram grande coisa, então tive que aproveitar a oportunidade”, recorda.
Começou a vender frutos secos e nunca mais parou. Hoje, o negócio é um complemento financeiro, mas também uma maneira de continuar activo. “Quando não tenho nada a fazer, estou entretido”, afirma. Nem sempre as vendas correspondem às expectativas e os custos das deslocações pesam nas contas. “Com o que temos, vai dando para o petróleo”, resume, sem perder a boa disposição. Habituado à estrada e ao contacto com os clientes, José Canhoto sabe que a actividade dificilmente terá continuidade na família. Os filhos seguiram outros caminhos profissionais. Mas há uma história familiar que gosta de contar. Apesar do apelido Canhoto, não escreve com a mão esquerda porque, em criança, os pais não o deixavam. “É um desgosto que eu tenho”, brinca. A tradição parece ter regressado com o neto, que descreve, orgulhoso, como sendo “200% Canhoto”.

Presidente quer feira como motor da economia e do turismo
José Trincão Marques defende a valorização dos produtores e do comércio tradicional e pretende aproveitar a Feira Nacional dos Frutos Secos para atrair visitantes ao centro histórico de Torres Novas. O presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, José Trincão Marques, quer que a Feira Nacional dos Frutos Secos seja mais do que um espaço de exposição e venda. Na abertura do certame, o autarca destacou a importância de valorizar os produtores, aproximar empresas e consumidores e criar oportunidades de negócio que contribuam para o desenvolvimento económico do concelho. O figo, a amêndoa, a noz e a passa de uva são alguns dos produtos associados à identidade do território e ao trabalho de gerações de agricultores. José Trincão Marques defende que a sua valorização deve beneficiar também a indústria de transformação, o comércio tradicional e os pequenos negócios. A estratégia municipal passa ainda por aproveitar a feira para promover Torres Novas enquanto destino turístico. O presidente pretende que os visitantes conheçam o castelo, o centro histórico, o património natural e cultural e a gastronomia local, prolongando a permanência na cidade.
A dinamização do centro histórico é outra prioridade anunciada pelo autarca, que defende uma programação regular com música, gastronomia, tradições e actividades culturais. José Trincão Marques reconhece que esse objectivo exige o envolvimento dos comerciantes, produtores e restante comunidade, para que a feira contribua para gerar actividade económica para além dos dias do certame.

José Canhoto, antigo marceneiro - foto O MIRANTE

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