Cultura | 21-10-2026 18:00

Rumo Certo: do escutismo nasceu uma amizade que encontrou caminho na música

Rumo Certo: do escutismo nasceu uma amizade que encontrou caminho na música
João Cachado e Gabriel Tavares decidiram criar os Rumo Certo, juntando-se depois Rodrigo Maurício e Rodrigo Santos - foto O MIRANTE

João Cachado, Gabriel Tavares, Rodrigo Maurício e Rodrigo Santos conheceram-se através do escutismo e começaram por cantar entre amigos. O que nasceu de forma despretensiosa levou os Rumo Certo ao segundo lugar do The Voice Gerações. Agora querem transformar a exposição conquistada num novo capítulo, com temas originais e uma aposta mais séria na música.

O que começou entre amigos, guitarras e encontros ligados ao escutismo acabou num dos maiores palcos televisivos do país. Os Rumo Certo, formados por João Cachado, Gabriel Tavares, Rodrigo Maurício e Rodrigo Santos, conquistaram o segundo lugar da edição de 2026 do The Voice Gerações, um resultado que estava longe das expectativas quando decidiram arriscar uma candidatura. A possibilidade de participar num concurso televisivo já tinha sido discutida, mas o grupo considerou que ainda não estava preparado para o Got Talent. Quando surgiu o The Voice Gerações, os jovens de Aveiras de Cima e Sobral de Monte Agraço decidiram avançar.
A passagem pelo programa foi bastante mais exigente do que aquilo que os espectadores viram na televisão. Houve horas de ensaios, noites curtas, dúvidas e muitas cedências na vida pessoal. Depois de um ensaio dos Tira-Teimas, chegaram a passar horas num parque de estacionamento junto a um supermercado a repetir uma música até corrigirem o que não estava a resultar. Tocar acompanhados por uma banda profissional foi também uma novidade e obrigou a uma rápida adaptação. À medida que avançavam, perceberam que era necessário encarar o projecto de outra forma. Na semana anterior à final ensaiaram praticamente todos os dias, conciliando a música com as respectivas profissões.
Muito antes da televisão já existia, no entanto, uma amizade construída no movimento escutista. O projecto nasceu quando Gabriel Tavares e João Cachado decidiram criar algo ligado à música escutista, juntando-se posteriormente Rodrigo Maurício e Rodrigo Santos. O próprio nome Rumo Certo transporta essa identidade e remete para a caminhada e para a procura de um caminho individual. Os quatro continuam ligados ao escutismo e dizem levar para a música valores como o trabalho em equipa, a responsabilidade e a entreajuda. Até nos bastidores do The Voice mantiveram um ritual: antes de cada actuação faziam uma oração em conjunto.
O palco, o contacto com outros músicos e o feedback recebido foram afastando inseguranças. O cansaço e o perfeccionismo também provocaram discussões, mas obrigaram os quatro amigos a conhecer melhor a forma de trabalhar uns dos outros. Uma coisa, garantem, nunca quiseram perder: a espontaneidade. O segundo lugar mudou também a dimensão do projecto. Se antes festejavam alguns milhares de visualizações nas redes sociais, depois das primeiras emissões começaram a acompanhar diariamente o crescimento de seguidores e a receber mensagens de pessoas que nunca os tinham ouvido. A mobilização das comunidades de onde são oriundos foi outro dos momentos marcantes da aventura. Autarquias, juntas de freguesia, agrupamentos de escuteiros, familiares e amigos juntaram-se no apoio. Em Aveiras de Cima, os utentes de um lar gravaram um vídeo antes da final, gesto que emocionou o grupo. “Vês a população onde estás inserido a unir-se em força para concretizar o teu sonho. É impossível não ficar sensibilizado com isso”, admite João Cachado. A participação acabou ainda por aproximar famílias e grupos de amigos de Aveiras de Cima e Sobral de Monte Agraço.
Terminada a competição, a prioridade é organizar o projecto, criar uma rotina de ensaios e avançar para temas próprios. “O objectivo principal agora passa por criar as nossas músicas, avançar com originais e trazer a nossa identidade àquilo que fazemos”, afirma Rodrigo Maurício. A experiência deixou-lhes sobretudo a certeza de que vale a pena arriscar. “Já provámos a nós próprios que, efectivamente, se trabalharmos e não tivermos medo de arriscar, as coisas podem acontecer”, resume Rodrigo Santos. Sem escolherem um palco como destino final, os quatro amigos querem continuar a fazer caminho. Afinal, como sintetiza Rodrigo Maurício, “enquanto houver desconforto, há caminho para crescer”.

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