Um poema de Arnaldo Saraiva*
Gostarias de ver e ouvir decerto; não em palácios salões televisões; mas à mesa de cafés e restaurantes; ou em ruas e praças do planeta; novos Mandelas; e Mujicas;
DONOS DO MUNDO
Gostarias de ver e ouvir decerto
não em palácios salões televisões
mas à mesa de cafés e restaurantes
ou em ruas e praças do planeta
novos Mandelas
e Mujicas
E gostarias talvez de te ver livre
de imagens e palavras
que te servem todos os dias
a todas as horas
do Putin
do Trump
do Xi-Jinping
do Netanyahu
(e até de miniaturas
ou caricaturas como
Milei, Orbán, King Jong-un).
Azar, meu velho. Sem teu voto
são os donos do teu mundo
traficantes de armas e mercados
promotores por terra mar e ar
de guerras pelo progresso
da morte, do medo e da tristeza.
Requintados patifes.
Só talvez possa alegrar-te
a previsão da morte deles
quem sabe até antes da tua.
E talvez que noutro mundo
algum juiz os faça desfilar
enfim sem guarda-costas
diante das suas vítimas
para que estas postumamente possam
escarrar nos seus focinhos.
*Arnaldo Saraiva é professor catedrático jubilado, poeta, ensaísta, tradutor e cronista. Este poema foi escrito o ano passado "enojado e intranquilo com os altos poderes planetários".


