Mercado de 1900 devolveu a Tomar as memórias e tradições de outros tempos
Tomar recuou mais de um século com a recriação do Mercado de 1900, uma iniciativa que juntou grupos de folclore, artesãos e produtores locais para recuperar costumes e vivências de outros tempos.
O Mercado de 1900 voltou a transformar Tomar num cenário de outros tempos, recuperando hábitos, produtos e formas de convívio que marcaram a vida dos antepassados. A recriação histórica reuniu grupos de folclore, artesãos, produtores e visitantes, numa iniciativa que pretende preservar a memória colectiva e reforçar a identidade cultural da cidade. Para Daniel Calado Café, presidente da Federação do Folclore Português, o evento vai muito além da componente festiva. A missão dos grupos de folclore passa por “recolher, estudar, salvaguardar e divulgar a tradição popular”, permitindo que costumes e saberes não desapareçam com o passar das gerações. Mostrar aos tomarenses como funcionava um mercado há 100 ou 120 anos é um dos principais objectivos da iniciativa, organizada com o envolvimento dos grupos de folclore locais.
A recriação constitui também uma oportunidade para dinamizar a economia local, dando visibilidade a produtos tradicionais, muitos deles confeccionados de forma artesanal. Daniel Calado Café destaca a importância de promover os produtos da região e, simultaneamente, recuperar a memória de um espaço que, no passado, era fundamental para as relações sociais e comerciais das comunidades. A adesão dos grupos de folclore tem sido expressiva, assim como a presença de visitantes. Segundo o dirigente, o mercado atrai não apenas habitantes locais, mas também turistas interessados em conhecer as tradições portuguesas.
Um dos maiores desafios continua a ser a transmissão desse conhecimento aos mais novos. Daniel Calado Café sublinha o carácter intergeracional do movimento folclórico, onde convivem crianças, jovens, adultos e idosos, muitas vezes pertencentes à mesma família. É nessa proximidade que os saberes passam de geração em geração e encontram condições para continuar vivos. A Federação do Folclore Português pretende também reforçar a projecção internacional do movimento, valorizando o trabalho desenvolvido na preservação do património cultural imaterial. Para Daniel Calado Café, o essencial é “não quebrar o elo que faz a ligação de uma geração à outra, do passado ao presente e ao futuro”.


