Cultura | 03-11-2026 21:00

Santarém precisa de talento mas também de casas e condições para fixar trabalhadores

The Talent Event reuniu mais de 150 empresários e especialistas em recursos humanos para discutir os desafios do recrutamento, da liderança e da qualificação. Novos investimentos podem criar 2.500 empregos em Santarém nos próximos anos, mas a habitação e a capacidade de fixar profissionais preocupam as empresas.

Atrair trabalhadores qualificados é apenas parte do desafio. Conseguir mantê-los nas empresas e na região exige oportunidades de carreira, boas lideranças, habitação acessível e qualidade de vida. Foi esta uma das principais conclusões do The Talent Event, promovido pelo Clan e pela Câmara de Santarém, a 22 de Outubro, que juntou mais de 150 profissionais para debater o futuro do trabalho. Na mesa-redonda sobre liderança regional com impacto global, Carlos Mendes Gonçalves, fundador e presidente executivo da Casa Mendes Gonçalves, defendeu que o crescimento empresarial não pode apagar a ligação às pessoas e ao território. “Uma das coisas especialmente infelizes é chamar recursos humanos a uma pessoa”, afirmou. Para o empresário, atrair jovens ao Ribatejo implica oferecer perspectivas de evolução profissional e equilíbrio pessoal, para além da remuneração.
Mário Ribeiro, director do Hospital CUF Santarém, destacou as dificuldades de recrutar e reter profissionais especializados. Mauro Cardoso, director-geral da Monliz, valorizou o espírito crítico, a resiliência e a proximidade entre equipas. “Nós não competimos só no mercado nacional, nós competimos na Liga dos Campeões”, afirmou, defendendo maior ambição empresarial. Vítor Figueiredo, CEO da Zolve/Logifrio, considerou que a digitalização da logística exige novas competências e defendeu formação ligada a problemas concretos das empresas.

Habitação preocupa novos investimentos
O recrutamento em grande escala dominou outra mesa-redonda, com representantes de três projectos previstos para Santarém. Pedro Patrício, administrador do Hospital da Luz Ribatejo, sublinhou que contratar profissionais especializados requer planeamento e diversificação dos canais de recrutamento. O salário conta, mas a liderança e as possibilidades de progressão também pesam na decisão de permanecer numa organização.
Carlos Carreiras, gestor do projecto Viva Mundo, explicou que a preparação das futuras equipas passa já pelo contacto com instituições locais. Alertou, porém, para a pressão que os novos investimentos poderão exercer sobre a habitação. “O alojamento é das nossas maiores preocupações”, reconheceu, referindo contactos com a autarquia e investidores para encontrar soluções acessíveis. Raúl Schuurmans, coordenador de desenvolvimento do Ribatejo Design Hotel, apontou igualmente a habitação e os transportes como factores decisivos para atrair trabalhadores.

João Leite prevê criação de 2.500 empregos

Na abertura da conferência, o presidente da Câmara de Santarém, João Leite, estimou que os investimentos em desenvolvimento possam criar cerca de 2.500 postos de trabalho no concelho nos próximos três a quatro anos. Anunciou ainda o Campus Tejo, um parque de ciência e tecnologia associado à alimentação, saúde, bem-estar e longevidade. O autarca defendeu que a captação de empresas tem de ser acompanhada por condições para fixar população, nomeadamente ao nível nas escolas, saúde e mobilidade. “O desafio maior que temos que fazer nos próximos anos é construir todas as ferramentas para que o talento possa ficar em Santarém”, afirmou. A fixação de talento surge como prioridade local.

Liderança, progressão profissional e formação estiveram em destaque no debate
Novos investimentos poderão criar 2.500 postos de trabalho no concelho, anunciou o autarca João Leite - foto O MIRANTE
Raul Schuurmans - foto O MIRANTE

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