Cultura | 29-08-2022 09:59

Associação dos Africanos apoia centenas de famílias em Vila Franca de Xira

Dirigente Luís Fernandes diz-se desiludido com os casos de racismo que continuam a ser frequentes

Com mais de duas décadas a trabalhar em prol da comunidade, a Associação dos Africanos do concelho de Vila Franca de Xira desempenha um papel fundamental na integração e inclusão de centenas de famílias. Racismo e discriminação continuam a acontecer com frequência na comunidade.

A missão da Associação dos Africanos do concelho de Vila Franca de Xira é ajudar e apoiar as pessoas que mais precisam. A afirmação é de Luís Fernandes, presidente da colectividade, que conta com mais de 700 associados, e que faz um trabalho mais incisivo na comunidade do bairro da Icesa, em Vialonga.
O dirigente, de 78 anos, natural da Guiné-Bissau, está em Portugal há mais de 50 anos e preside a associação há mais de duas décadas. No final dos anos 90, Luís Fernandes convidou seis amigos e juntos criaram a associação que representa cinco países; Guiné-Bissau, Angola, Moçambique, Cabo-Verde e São Tomé e Príncipe. A associação sempre participou activamente na dinâmica cultural, desportiva e social da comunidade e apesar de continuar empenhada em fazer a diferença, os últimos anos não têm sido fáceis. “Temos muito menos apoios e realizamos muito menos actividades, por causa das dificuldades financeiras que atravessamos. Esta situação deixa-me desanimado porque sei que conseguimos fazer mais e melhor”, refere Luís Fernandes em conversa com O MIRANTE.
Actualmente o principal apoio que a associação oferece à comunidade é o banco alimentar que ajuda mais de uma centena de famílias. “A maioria das famílias que nos pedem ajuda são numerosas; temos famílias com nove pessoas no seu agregado. Apesar de sermos uma associação de africanos, os nossos braços estão abertos para todos”, afirma, com um sorriso no rosto.
Para Luís Fernandes era importante que os jovens se envolvessem mais com a associação e ajudassem a reivindicar alguns bens e necessidades para a comunidade. O dirigente afirma que é necessária a construção de uma creche e de um pavilhão gimnodesportivo, como forma dar mais estímulos aos jovens do bairro da Icesa. Luís Fernandes considera que, quanto mais formação se der aos jovens, a vida da comunidade melhora e os riscos da ocorrência de problemas diminuem. “A criminalidade na comunidade tem vindo a diminuir todos os anos. É algo que me deixa muito orgulhoso”, sublinha.
O que o deixa desiludido são os casos de racismo e discriminação que ainda acontecem. “O racismo e a discriminação ainda são muito frequentes e não acontece apenas de pessoas brancas para negras. Por isso é que é importante actuar em toda a sociedade e não apenas nas minorias”, vinca.

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