Desporto | 19-04-2020 10:00

Sem garra e trabalho não se consegue chegar ao topo

Sem garra e trabalho não se consegue chegar ao topo

Catarina Quitério tem dado nas vistas nos últimos anos sagrando-se por várias vezes campeã nacional de Tiro com Arco.

O Tiro com Arco é uma modalidade exigente, dura e que pode ser cruel mentalmente para quem não tiver o estofo necessário para ser campeão. Quem o diz é Catarina Quitério, jovem promessa da modalidade que, aos 17 anos, já soma três títulos de campeã nacional e outros tantos de vice-campeã. Quem a conhece elogia o seu esforço nos treinos e a sua preserverança. Catarina diz manter os pés bem assentes no chão e que nada se conquista sem treino e trabalho árduo.


Catarina tem o sonho de vir a representar Portugal nos Jogos Olímpicos. Tem 17 anos, nasceu em Vale do Paraíso, Azambuja, mas vive no Carregado, concelho de Alenquer e treina na Sociedade Euterpe Alhandrense, no vizinho concelho de Vila Franca de Xira. Frequenta o 12º ano e quer entrar no Instituto Superior Técnico para se formar em Engenharia de Materiais.


Catarina Quitério andou na ginástica acrobática e experimentou o tiro com arco há cinco anos por influência do irmão, que já era praticante da modalidade. “Apaixonei-me de imediato”, revela. Foi pelas mãos do técnico Adriano Dias que se fez atleta. Treinou duramente nos dois primeiros anos antes de começar a competir. “Quando estou na linha de tiro não há desculpas. Só eu é que conto. Este pode ser um desporto muito cruel porque treinamos durante anos e podemos nem sempre ver o resultado que queremos”, refere.


O Tiro com Arco “é 30 por cento físico e 70 por cento mental. Temos de estar calmos e em paz com o que estamos a fazer e isso é muito dificil de se conseguir”, explica. Na sua primeira época, como cadete, sagrou-se vice-campeã de campo e campeã nacional de sala. No ano seguinte conquistou o título nacional em campo. No Tiro com Arco os atletas podem subir de escalão mesmo sem terem alcançado a idade necessária, e por isso Catarina decidiu começar a competir no escalão acima, de júniores, tendo logo conquistado o título nacional de sala e o vice-campeonato em campo. Em 2019 decidiu subir para o escalão sénior para aprender com as arqueiras mais velhas. No seu primeiro ano nesse escalão rubricou um terceiro lugar frente a adversárias mais velhas e mais experientes. “A minha ambição é ser a melhor arqueira do país e ir aos Jogos Olímpicos. Quero ser a melhor”, assume.

Aguentar uma paragem forçada


Devido à pandemia Catarina treina apenas quatro vezes em vez das habituais cinco e o seu foco tem sido manter a força muscular. Catarina não se deixa deslumbrar pelos elogios que tem recebido e assume que mantém os pés bem assentes na terra. “Preciso de continuar a trabalhar bastante e não deixar que isso me suba à cabeça. Tenho de continuar a trabalhar porque o sucesso demora tempo a conquistar. Vou crescendo prova a prova. Não vale a pena dizer que serei uma grande arqueira se não treinar ou não me esforçar. Tenho de manter a atitude e a garra”, confessa.


A modalidade, diz, é “uma terapia”, aconselhando que toda a gente devia experimentar. Quando a pandemia terminar, todos os sábados, a partir das 10h30, quem quiser pode fazê-lo na secção onde treina, no complexo das piscinas da Cimpor em Alhandra.

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