Desporto | 22-02-2022 15:00

Edição Semanal. Na associação de Karaté Shotokan do Forte da Casa encontra-se a melhor versão de cada um

Além de formar grandes atletas Pedro Carreiro quer também formar bons cidadãos

Pedro Carreiro é mestre de karaté e treina mais de 70 alunos no Forte da Casa e em Arruda dos Vinhos. Considera que a modalidade ajuda a desenvolver competências emocionais e preparar melhor os atletas para o seu dia-a-dia. Nuno Alexandre e Catarina Caracol, um químico e uma economista, são um bom exemplo disso.

A Associação de Karaté Shotokan Pedro Carreiro funciona no Pavilhão Municipal do Forte da Casa e nas instalações do Clube Recreativo Arrudense, em Arruda dos Vinhos, e é uma das poucas colectividades do país onde se pratica a variante Shotokan.
Pedro Carreiro, 46 anos, é presidente e treinador da associação e dá aulas a mais de 70 alunos com idades compreendidas entre os 5 e os 50 anos. Com o actual número de atletas, o mestre mostra-se ambicioso com o futuro da escola, embora lamente que o tecido empresarial não invista nas colectividades que trabalham para as pessoas e em prol do desenvolvimento dos concelhos.
Para além de treinador de karaté, a quem todos os alunos chamam de “sensei”, Pedro Carreiro vive da sua actividade profissional ligada à fisioterapia. Também já foi atleta de alta competição de karaté e formou-se no dojo do Futebol Clube de Alverca. Competiu até aos 40 anos e realizou provas de graduação até chegar a quinto “Dan”, o equivalente a cinco cinturões negros.
O karaté permitiu-lhe viajar pelo mundo e acumular muito conhecimento, que procura transmitir aos seus alunos de uma forma diferente do que a que aprendeu. “Quando entrei para o karaté os mestres eram bastante duros, rigorosos e rígidos, com mentalidade militar. Com o aparecimento de vários desportos, se hoje tentarmos ser um pouco mais rígidos há a tendência para irem embora, em busca de coisas mais tranquilas. Tenho tentado adaptar-me a isso”, afirma, com um sorriso no rosto, no dia em que O MIRANTE visitou o seu dojo para acompanhar um treino.
O karaté, assegura, tem muitas vantagens, nomeadamente quando implica lidar com emoções, socializar e trabalhar melhor em equipa. Há umas semanas todos os seus atletas conquistaram a subida de escalão, o que é motivo de orgulho e sinal de que o trabalho está a ser bem feito. “A vida é um ciclo e devemos tentar encontrar o melhor de cada aluno e conseguir que sejam a melhor versão de si próprios”, vinca.

ALUNOS QUE QUEBRAM BARREIRAS
Ana Sofia Fernandes tem 15 anos, é cinturão negro de karaté shotokan e treina há 11 anos no clube. Começou a praticar a modalidade com o irmão e diz que foi amor à primeira vista. Para a jovem, a competição é a melhor parte deste desporto, pela adrenalina que causa e pela possibilidade que tem de viajar pelo mundo. “Os treinos são muito importantes, mas o sentimento de competir e tentar vencer o meu adversário é inexplicável. É nessas alturas que aprendemos porque estamos a lidar com o imprevisível pois os atletas têm diferentes estilos”, explica a O MIRANTE.
O atleta mais velho da associação chama-se Nuno Alexandre e tem 51 anos, embora tenha sido um dos últimos a fazer parte da equipa. A sua actividade profissional está ligada à área química e petroquímica. Nuno Alexandre sempre gostou de fazer desporto e já praticou futebol e natação. Actualmente concilia as artes marciais com o BTT. O karaté surgiu na sua vida por influência de um colega, que o desafiou a experimentar. Assume que não imagina voltar com a ideia atrás porque sente que pertence a uma verdadeira equipa e que este tipo de exercício físico o ajuda a lidar melhor com as suas emoções e combate as más energias.
Catarina Caracol, 37 anos, tem uma história semelhante à de Nuno Alexandre. É economista, pratica karaté há apenas dois meses mas já conquistou o cinturão amarelo, que sucede ao branco, o princípio de tudo. A sua adaptação à modalidade tornou-se mais fácil porque os três filhos pertencem à família da colectividade há cerca de quatro anos. De tanto assistir aos treinos dos filhos o treinador desafiou-a a fazer parte da equipa e ela não hesitou ao aceitar. Após o primeiro treino percebeu que voltar a praticar desporto, depois de muitos anos como nadadora de competição e corredora de atletismo, era algo que lhe fazia falta. Praticar desporto com os filhos, admite, é uma experiência única porque pode acompanhar a sua evolução de perto, ao mesmo tempo que se abstrai dos problemas que surgem fora do dojo da associação.

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