Desporto | 01-03-2022 12:00

Edição Semanal. Ateneu Gímnico de Samora Correia ao serviço da comunidade

Ginastas treinam diariamente durante duas horas no pavilhão gimnodesportivo de Samora Correia

Para atingir a perfeição cada instante conta para as três dezenas de ginastas do Ateneu Gímnico de Samora Correia. O MIRANTE foi assistir a um treino onde a repetição, a coragem e a disciplina são o método para o sucesso.

Os treinos são diários, exigentes e suados. Durante 45 minutos trabalha-se os músculos do corpo ao nível da força, agilidade e flexibilidade, para depois se treinar durante hora e meia as figuras dinâmicas e de equilíbrio, a pares ou trios. Até ao dia da primeira competição da época os treinos dos 30 ginastas de acrobática da classe de competição do Ateneu Gímnico de Samora Correia (AGISC) vão ser assim: repetição, disciplina, dor e superação.
No rosto de cada um dos ginastas em treino percebe-se que a acrobática é muito mais do que a beleza do esquema coreográfico, dos fatos brilhantes e das técnicas bem executadas. “Se dói? Claro que dói. Para se ser bom [na flexibilidade e execução] é preciso treinar e sofrer durante meses para mostrar o que se vale numa prova que dura dois minutos”, atira o treinador da classe e ex-ginasta, Tiago Francisco, que iniciou o seu percurso na ginástica, aos cinco anos, no AGISC.
Beatriz Fernandes começou na modalidade dois anos mais tarde. Hoje tem 19 anos e é praticante há 13. Tem a paixão, a disciplina e o sentido de responsabilidade na dose certa. É também uma das ginastas mais antigas em competição e faz por não falhar um único treino. “Tem que haver compromisso para não me prejudicar, nem às outras ginastas”. O melhor de tudo, diz, é que, “apesar de ser duro, o esforço de meses é recompensado quando é aplaudido em prova”. E isso, explica, vai além das medalhas que se conquistam.
No AGISC, associação fundada em 1987 e na qual se formou o ginasta Gonçalo Roque, que foi campeão nacional e europeu, há um lema que se mantém: “Onde se ganha é nos treinos”, as medalhas e os pódios vêm por acréscimo. Quem o disse pela primeira vez foi Cândida Ramos, sócia fundadora, ex-ginasta, presidente da direcção e coordenadora técnica, que marca presença em todos os treinos.

“Neste país paga-se para competir”
Além das três dezenas de ginastas de competição frequentam a modalidade na vertente de formação mais 56 crianças e jovens. Uns seguirão para a competição, outros ficarão por ali. E não tem necessariamente que ver com a falta de empenho ou talento para a modalidade. Nalguns casos, explica Cândida Ramos, o motivo é a decisão dos pais: “Nem todos querem que os filhos façam competição, porque isso exige muitas horas de treino e implica que haja tempo e disponibilidade da parte dos próprios pais”. É verdade que também é mais dispendioso competir, mas nesse caso, esclarece, é a associação que suporta os custos das inscrições e que financia a compra dos fatos de competição aos ginastas com carência económica.
“Uma associação tem que ter esta vertente social, nenhuma criança ou jovem pode deixar de praticar desporto por a sua família não ter possibilidade para pagar”, afirma, aproveitando para lamentar a falta de apoio da Federação de Ginástica de Portugal. “Neste país paga-se para competir, federar atletas e não se recebe nenhuma benesse”, diz, acrescentando que “sai mais barato ir a uma prova internacional do que nacional” que geralmente têm custos de inscrição mais baixos. É o caso da competição Taça Galiza, em Vigo, Espanha, para a qual o AGISC foi convidado a marcar presença em Abril deste ano.

Repetir, repetir e repetir
Apesar de ainda não ter participado em competições, o destemido e energético João Silva que chegou ao AGISC em Setembro do ano passado está ansioso para mostrar o que vale, juntamente com Afonso Alpalhão. O primeiro tem sete anos, o segundo nove e são o par mais irrequieto da classe. “Gostamos de fazer as rodas, os flicks e isso tudo”, diz Afonso, que antes da ginástica passou pelo andebol “mas não correu bem”.
Ao lado, Matilde Costa não desiste de conseguir fazer um ângulo para prancha “o mais perfeito possível”, apoiada nas mãos de Erica Batalha e Raquel Pinto. O trio, formado no treino anterior, tem agora que aprender a confiar e a executar tecnicamente bem todas as figuras. “Já não sei quantas vezes fiz isto, mas vou repetir e repetir”, assegura Matilde, a volante do trio.

Cinco secções ao serviço da comunidade

O AGISC, que além da ginástica acrobática tem secções de natação, hip hop, calistenia e sevilhanas, é gerida com as mensalidades pagas pelos atletas e o apoio monetário da Câmara de Benavente (que representa 20% do orçamento total), que também cede gratuitamente os espaços de treino. Entre verbas para deslocações, inscrições em provas, federar atletas, aquisição de equipamentos e outras despesas correntes, esta associação paga aos seus treinadores. E para Cândida Ramos nem podia ser de outra forma: “investiram num curso, estão a trabalhar e têm que ser remuneradas por isso, embora numa associação se faça muita coisa por carolice”.

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