Desporto | 02-03-2022 07:00

Rui Ferreira é o veterano mais titulado do todo-o-terreno nacional

Rui Ferreira vive no concelho de Salvaterra de Magos e tem um palmarés invejável

Tem 57 anos e é um dos pilotos mais velhos a competir no mundial de bajas todo-o-terreno e o mais velho a competir no campeonato nacional, na classe de motas. É também o piloto, no escalão de veteranos, com mais títulos nacionais e mais pódios. Rui Ferreira foi ainda duas vezes vice-campeão do mundo, em 2020 e 2021.

Rui Ferreira, residente no Granho, concelho de Salvaterra de Magos, começou por conduzir motas no seu dia-a-dia, para se deslocar para o trabalho, mas sempre em estrada. Depois de ter dividido os lucros da sua empresa com o sócio, resolveu comprar uma mota todo-o-terreno para passear fora das estradas de alcatrão. A competição surgiu quando viu as inscrições para a Baja de Portalegre, o expoente máximo do todo-o-terreno em Portugal, em 1996. “Fiquei no meio da tabela e pensei que podia conseguir mais e melhor se me empenhasse”, explica. O bichinho da competição instalou-se e já conta mais de 20 anos a acelerar. Aos 35 anos participou pela primeira vez no campeonato nacional de todo-o-terreno, no escalão de veteranos, onde se cimentou como um dos melhores pilotos da categoria.
Apesar de um palmarés invejável Rui Ferreira queixa-se do pouco reconhecimento que tem tido, especialmente a nível local. Residente no Granho, uma das terras com mais tradição nos desportos motorizados, nomeadamente no motocross, não usufrui de qualquer apoio das autarquias, por não fazer parte de uma associação local. “Os apoios eram uma grande ajuda”, afirma o vice-campeão mundial de bajas todo-o-terreno em motos, acrescentando que nunca levou sequer “uma palmadinha nas costas” por ter conquistado pódios internacionais.
O experiente piloto explica que as “bajas” são provas de resistência bastante exigentes a nível físico e também psicológico. Os percursos chegam a ter centenas de quilómetros por caminhos inóspitos, com vários obstáculos que os pilotos têm de atravessar no menor tempo possível. “Desde que partimos todos os segundos contam, mesmo que se tenha que parar para fazer algum conserto, ou até para meter gasolina na mota”, explica.

Um desporto
caro para amadores
O todo-o-terreno é talvez um dos desportos mais caros que um amador pode praticar. Rui Ferreira conta a O MIRANTE que uma época no campeonato nacional custa cerca de 10 mil euros, para quem quiser competir pelo pódio. As despesas dividem-se entre inscrições nas provas, viagens, alojamentos, refeições e peças para a mota. Além do valor da própria mota, que se situa entre os 10 e os 15 mil euros. Para participar em provas no estrangeiro os valores disparam. “Participei na Baja de Aragão, no ano passado, em Espanha, e foi para cima de 10 mil euros”, conta.
Os patrocínios e o apoio da equipa, a Team Bianchi-Prata, vão mantendo Rui Ferreira na disputa de cada vez mais títulos. Os pódios internacionais que conquistou foram provas realizadas em Portugal. Até ao ano passado a final do campeonato do mundo era a Baja de Portalegre. Em 2020 houve duas provas de qualificação que se realizaram em Portugal e em 2021 acabou por ter de ir a Aragão para completar a segunda prova de qualificação. Este ano a final é realizada no Dubai, em Dezembro, e a participação de Rui Ferreira está em causa, pelos custos e a logística que isso acarreta. Ainda não decidiu, em conjunto com a equipa, se vão embarcar as motas num cargueiro se vão procurar lá uma solução para conseguir competir.

Dakar é um sonho por realizar
O grande objectivo do piloto é cumprir o sonho que acalenta desde que se iniciou na modalidade: participar na mítica prova do todo-o-terreno, o Rally Dakar. Diz que ao longo dos anos já esteve perto de o fazer, mas que a grande logística necessária, e os custos que acarreta, não permitiram fazê-lo. Não vai desistir de alcançar essa meta e, caso consiga, tem expectativas realistas. “O meu objectivo não é vencer a prova, mas conseguir terminá-la, que é algo que muitos pilotos acabam por não conseguir fazer”, vinca. Para lá chegar tem de juntar cerca de 60 mil euros, valor mínimo para cobrir todas as despesas.
Rui Ferreira encara a vida um quilómetro de cada vez. Tem-se esforçado por não comprometer a sua segurança durante as provas porque sabe que a idade já pesa, e uma nova lesão, como a que teve em 2013, que lhe custou três cirurgias a um pulso e 300 sessões de fisioterapia para voltar a mexer a mão, pode arredá-lo de um dos seus maiores prazeres. Estabeleceu que vai continuar a competir pelo menos até aos 60 anos, e só depois vai fazer uma “avaliação geral” e decidir se encosta a mota ou se ainda levanta a roda em direcção a mais uma meta.

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