Desporto | 01-04-2022 15:00

Desporto reforçou união de pai e filha que vão ser cidadãos de mérito em Alhandra

João e Joana são pai e filha unidos pelos laços familiares e sucessos desportivos

João é polícia e a filha, Joana, quer estudar ciências da comunicação. São campeões mundiais de kenpo e duas das personalidades da terra que vão ser distinguidas pela junta de freguesia como cidadãos de mérito na sessão solene do 25 de Abril.

João e Joana Gomes, ele de 49 anos e ela de 18, são pai e filha campeões do mundo de kenpo e em Abril vão ser distinguidos como cidadãos de mérito da União de Freguesias de Alhandra, São João dos Montes e Calhandriz. São duas das figuras galardoadas nas comemorações do 25 de Abril. Vivem em A-dos-Loucos e têm um palmares vasto na modalidade que praticam no Dojo da União Portuguesa de Karaté Kenpo, que funciona na Sociedade Euterpe Alhandrense.
João Gomes é agente da Polícia de Segurança Pública onde entrou há 26 anos depois de sair do serviço militar. “Entrei à experiência, sem saber se ia correr bem ou não, mas acabei por gostar bastante do que faço”, conta. Há 22 anos, quando pensou praticar um desporto, optou pelo kenpo sob a égide do sensei Pedro Porém e nunca mais parou. “Cativou-me o código de honra da modalidade e, sobretudo, por ser uma arte de defesa. É uma forma de saber ser e estar e tem uma vertente sócio-cultural importante, de ajudar o próximo e de superação pessoal”, explica.
A filha, Joana, sempre foi uma rapariga activa e andou de braço dado com o desporto. Fez patinagem artística, canoagem na secção náutica do Alhandra Sporting Club, ginástica rítmica e BTT. Quando praticava ginástica acrobática teve de ser operada a um rim e foi obrigada a desistir da modalidade. Foi nessa altura que o pai a desafiou para abraçar o kenpo.
“Apaixonei-me completamente pela modalidade e nunca mais parei”, conta a atleta que, em 2018, foi também campeã mundial de stick fighting e campeã ibérica na vertente kata. “Gosto muito do que faço e não considero que o kenpo seja apenas uma modalidade de homens. É para todos e, em particular para as raparigas, é muito importante, sobretudo na perspectiva da auto-defesa. É uma grande ajuda se precisarmos e para elevar a nossa auto-estima”, conta a O MIRANTE.

“Às vezes lutamos em casa e trocamos uns galhardetes”
Pai e filha confessam que o desporto os uniu ainda mais e os tornou mais próximos, ainda que por vezes seja difícil vencer alguns argumentos em casa. “Às vezes lutamos em casa e trocamos uns galhardetes porque os feitios são muito semelhantes, mas isso faz parte”, confessa João Gomes com um sorriso. Apesar disso Joana diz respeitar a autoridade do pai. Já se magoaram fisicamente um ao outro em competição mas Joana diz que isso faz parte do crescimento e da aprendizagem a lidar com a dor.
A dupla treina com regularidade em Alhandra para competir ao mais alto nível e dizem que a distinção da junta pode ser uma forma de inspirar a comunidade a seguir o exemplo do desporto. “Ser cidadãos de mérito é um orgulho porque podemos ser um exemplo para a sociedade melhorar e abraçar o desporto. Não tem de ser o poder político a decidir se as pessoas são boas ou más só porque recebem um troféu. Temos de premiar o mérito do trabalho, não da medalha recebida. O trabalho ao longo dos anos não se resume a uma medalha ou um troféu”, defende João Gomes.

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