União Desportiva de Malaqueijo renasce 19 anos depois
Após quase duas décadas de paragem, a bola voltou a rolar no Campo de Jogos do Casalinho, casa da União Desportiva de Malaqueijo. No dia em que o clube celebrou o 44.º aniversário, O MIRANTE acompanhou a festa que marcou o regresso da colectividade ao activo.
Eram 11 para cada lado e no final ganhou a União Desportiva de Malaqueijo (UDM). Na manhã de 14 de Agosto cerca de uma centena de pessoas assistiram ao regresso do clube ao Campo de Jogos do Casalinho, em Malaqueijo, concelho de Rio Maior, após cerca de duas décadas de interregno.
Entre remates mais ou menos afinados, tácticas improvisadas e paragens junto ao banco de suplentes para fintar a sede, o que faltou em talento futebolístico no jogo-convívio sobrou em boa disposição.
Para que a bola voltasse a rolar no campo pelado na véspera do 44.º aniversário da UDM, o pontapé de saída foi dado cerca de um ano e meio antes. Tudo recomeçou quando um grupo de amigos, filhos da terra, se juntou para ressuscitar o clube que encerrou portas repentinamente, em 2003, por conta de “desentendimentos e politiquices, como lembram alguns malaqueijenses da velha guarda com quem O MIRANTE conversou.
“O campo estava abandonado desde essa altura”, refere o actual presidente, Miguel Santos, que tem vindo a reerguer o clube em conjunto com outros elementos da direcção. “Durante a semana costumamos vir para aqui trabalhar. Quando aqui chegámos encontrámos tudo vandalizado. Levaram taças, equipamentos, electrodomésticos, até os cabos dos holofotes que estavam enterrados”, conta o secretário da direcção Fábio Coelho.
As barreiras logísticas e financeiras chegaram a parecer intransponíveis, confessa Miguel Santos. Apesar de admitir que não sabe jogar futebol, o presidente recusa-se a deixar cair a bola no novo projecto desportivo. “Há 19 anos, toda a gente desistiu. Nós não podemos fazer o mesmo.”, vinca.
A União faz a força
Ti Raul, um dos fundadores da colectividade, contou ao repórter as memórias que coleccionou nos 16 anos em que serviu a agremiação, destacando a conquista do campeonato da 2.ª divisão distrital, em 2000/2001 e a vitória contra a União Desportiva de Rio Maior nas eliminatórias da Taça do Ribatejo. Também não esquece como foi ganhar às velhas glórias do Sport Lisboa e Benfica, em casa, por 3-2, em 1995. “Vendemos 430 bilhetes e veio gente de todo o lado”, recorda.
Fernando Costa, presidente da União de Freguesias de Azambujeira e Malaqueijo e presidente da assembleia-geral da UDM, sublinha a importância de iniciativas como esta para revitalizar a freguesia. “Os jovens já não estão tão ligados à terra e ao associativismo como antigamente, mas momentos como este ajudam a mobilizá-los”, reconhece.
De olhos postos no futuro
Antes do almoço-convívio e torneio de matraquilhos que fizeram parte do programa da festa, Miguel Santos falou com o jornalista sobre o futuro do clube. Mais do que celebrar o passado, a renovada União almeja agora dar passos “sustentados” rumo ao futuro, frisa o presidente. Miguel Santos reconhece que voltar a ter uma equipa de futebol sénior é o principal objectivo da actual direcção, mas que para lá chegar ainda é preciso caminhar muito. Angariar sócios, realizar um plano de actividades para angariar fundos, elaborar um projecto desportivo e conseguir que o clube garanta a propriedade do Campo de Jogos do Casalinho, são as prioridades imediatas, mas a ambição é ir mais longe. “Queremos ter mais do que tínhamos há 19 anos”, remata.


