Desporto | 02-10-2022 12:00

Povoense novamente na alta roda do futsal feminino

Atletas estão motivadas e empenhadas para a nova época a vestir as cores da cidade da Póvoa de Santa Iria

Atletas do clube da Póvoa de Santa Iria estão prontas a dar tudo em campo na nova temporada. A equipa sofreu bastantes alterações mas a equipa técnica e os dirigentes estão confiantes numa época positiva.

O União Atlético Povoense (UAP) vai voltar a ter uma equipa sénior feminina a competir na 1ª divisão nacional de futsal e as expectativas dos adeptos são elevadas. Depois de uma época conturbada por causa da pandemia o emblema viu-se a braços com a dificuldade de manter as suas jogadoras e repor as vagas que ficaram no plantel. Catarina Jacinto, Márcia Assis e Inês Neto são três das caras que representam as cores da única equipa do concelho de Vila Franca de Xira a atingir a 1ª divisão em futsal feminino.
Catarina Jacinto, 24 anos, é militar na Força Aérea Portuguesa e depois de ter estado algumas vezes do lado oposto ao UAP decidiu aceitar o convite e embarcar numa experiência nova e mais desafiante na 1ª divisão. Para a recém-chegada, a adaptação à equipa foi imediata, com um ambiente muito familiar, algo que considera essencial para o sucesso da equipa.
Márcia Assis, 27 anos, é a jogadora que há mais tempo representa o Povoense, defendendo as redes com tudo o que tem. Entrou para os escalões de formação há 11 anos e desde então não se imagina a ocupar outra posição que não a da baliza do UAP, muito por conta da ligação especial que tem à posição. “Normalmente ninguém quer ser guarda-redes, mas a minha mãe era guarda-redes e eu também quis ser. Na altura do desporto escolar não havia ninguém para ir à baliza e como eu também não gosto muito de correr abracei os postes desde então”, conta. A técnica de ortoprotesia está actualmente a recuperar de uma lesão na coxa por isso aproveita os treinos para ajudar as colegas novas a assimilar as tácticas e a manter o ambiente misto entre boa disposição e empenho.
Bruno Fernandes, 39 anos, é o treinador principal desta equipa de mulheres. Já liderou várias equipas de futsal feminino e tem em seu nome três campeonatos da 1ª divisão, três taças de Portugal e três supertaças. Este ano, de regresso ao emblema povoense de onde saiu em 2015, encontrou uma equipa com muitas caras novas mas com a mesma ambição: vencer. “As grandes equipas têm o dobro do nosso plantel, 20, 30 vezes mais que o nosso orçamento, pagam salários às jogadoras, têm todas as condições de luxo. Nós jogamos no pavilhão de uma escola, as nossas jogadoras trabalham todos os dias e treinam à noite, as deslocações são em carrinhas alugadas e viajamos o dia todo porque elas trabalham no dia seguinte”, lamenta.
Actualmente o clube conta com futsal masculino e feminino, futebol e atletismo e pretende relançar a secção náutica. A direcção do UAP queixa-se da falta de apoios naquele que é o único clube do concelho com uma equipa a disputar o escalão máximo de uma competição feminina. “Há uns anos a câmara prometeu-nos a construção de um polidesportivo nas instalações do nosso estádio. Não aconteceu. Com estas jovens a jogar de norte a sul do país temos de alugar camionetas para ir e vir e não vemos ou temos apoio em relação a isso, sai tudo do nosso bolso. Os patrocínios que temos vão ajudando mas não tem sido suficiente”, lamentam os dirigentes Vítor Alves e Paulo Batista.

Inês Neto: a veterana que é um exemplo

Inês Neto, 37 anos, é a jogadora com mais experiência do plantel. Começou a jogar futsal com 18 anos, na faculdade. Há seis anos ingressou no Povoense, onde pretende terminar a carreira no final desta época. “Joguei muito tempo, há lesões que não passam, neste momento jogo com uma rotura de dois ligamentos no meu pé, mas não posso deixar a equipa assim porque o futsal é o que gosto de fazer”, confessa.
A veterana sabe que a idade e a experiência são mais valias à equipa e como tal tenta, sempre que possível, ajudar e instruir as atletas mais novas. “Tenho colegas de equipa com 17 anos. Sou 20 anos mais velha, a experiência que tenho é para as ajudar, mas temos de ver que elas com 17 anos estão a jogar ao mais alto nível da competição enquanto eu com a idade delas nunca tinha vestido um equipamento. Temos um futuro promissor aqui e é isso que me dá alento quando arrumar as botas no fim da época”, conclui com emoção.

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