Desporto | 08-11-2022 15:00

Culturismo ajudou Sónia Semedo a vencer obstáculos

Sónia Semedo terminou no top 10 mundial na categoria de Bodyfitness no Arnold Classic de Sevilha

Mãe de uma criança deficiente devido a uma gravidez de risco, Sónia Semedo sofria de excesso de peso e duas operações à coluna deixaram-na à beira de ficar acamada. Buscou nesses desafios a força para trabalhar o seu corpo e ser campeã nacional de culturismo.

Quem hoje se cruza com Sónia Semedo, 42 anos, que vive no Forte da Casa, não imagina que por detrás de todos os músculos e do sorriso fácil está um historial de problemas de saúde que por pouco não a condenaram a ficar acamada. Em 2017 pesava 90 quilos, demasiado para os seus 1,74 metros de altura. Tinha passado por uma gravidez de alto risco e recuperava de duas cirurgias à coluna que a iam deixando presa a uma cama.
A conselho médico, percebeu que teria de mudar o estilo de vida. Adoptou uma dieta mais restrita, começou a ir ao ginásio e, apesar do desgaste físico elevado, Sónia Semedo recusou desistir. Ao fim de um ano deu consigo apaixonada pelo culturismo (também conhecido por bodybuilding), a trabalhar afincadamente os músculos e a competir pela primeira vez, conquistando prémios nacionais e internacionais. E nunca mais parou. Em criança sonhava representar Portugal numa competição desportiva como a atleta Rosa Mota. Hoje ainda carrega consigo uma bandeira nacional para as provas e não esconde as lágrimas quando ouve tocar o hino nacional.
O MIRANTE foi ao ginásio ViaFitness, em Vialonga, conhecer Sónia Semedo, personal trainer e culturista que começou tarde neste desporto e sonha ser campeã do mundo. Na categoria Bodyfitness da Federação Internacional de Bodybuilding e Fitness (IFBB), todos conhecem a “Gigi” Semedo, alcunha que lhe atribuíram no meio desportivo e que a atleta adoptou como seu, juntando-o ao seu penteado irreverente, que já é imagem de marca.

“Treino forte mas sou extremamente feminina”
A receita do sucesso é a resiliência perante as adversidades da vida. “A vida de bodybuilder não é fácil. Muitos acham que basta levantar uns pesos durante uns minutos. A parte mais complicada é a alimentação e a rotina. É ir ao casamento de um primo e ter de levar marmitas porque dali a uma semana tenho de estar no campeonato do mundo. É o acordar de madrugada, ir correr às quatro da manhã debaixo de chuva forte, chegar a casa, tomar banho, tomar o pequeno-almoço e cuidar da minha filha, que sofre de deficiência. É juntar tudo isso com alimentações, treinos regrados e trabalhar”, conta.
Quando sai à rua Sónia Semedo é confrontada com olhares e comentários com que foi aprendendo a lidar. Admite que alguns homens sentem-se “intimidados” com a sua presença descontraída, confiante e pouco vulnerável. “As pessoas comentam e apontam-me o dedo, a dizer que tomo esteróides, que uma mulher com músculos não é mulher. Eu sou o que sou graças a muito esforço e dedicação. Gosto de treinar e treino forte, mas sou extremamente feminina. Adoro sentir-me bonita em palco com um bikini feito à medida para mim, ter as unhas arranjadas, as sobrancelhas bem feitas, uma maquilhagem bonita”, refere.
Sónia Semedo garante que nunca seguiu o caminho da medicação para obter resultados. “A opção de me manter longe desse mundo é principalmente o foco no meu futuro, na minha saúde depois de me aposentar da competição. Tenho uma filha dependente de mim e assim será toda a vida. Não posso ser egoísta e pensar somente em mim e no meu ego”, conta.
Antes de subir a palco reza e leva sempre um terço. “Relembro-me a mim mesma que sou apenas humana e que tudo fiz para atingir aquele patamar. Faço tudo por ter os pés assentes na terra e sinto que isso é algo que falta a muita gente”, refere a O MIRANTE.

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