Desporto | 06-12-2022 10:00

Escola de Ciclismo de Alpiarça quer voltar a fazer da modalidade uma referência

Escola de Ciclismo de Alpiarça quer voltar a fazer da modalidade uma referência
Escola de Ciclismo de Alpiarça conta com 34 jovens atletas federados

Escola de Ciclismo de Alpiarça nasceu do sonho de três amigos. Um ano depois tem 34 atletas federados, entre os cinco e os 16 anos. Um número muito superior ao que imaginavam ter no primeiro ano de actividade numa terra com grandes tradições na modalidade.

A Escola de Ciclismo de Alpiarça celebrou em Novembro o primeiro aniversário e tem sido uma lufada de ar fresco no concelho e na região com os bons resultados que tem alcançado. O projecto surgiu do sonho de três amigos que começaram a delinear o projecto durante os seus passeios de bicicleta. César Galvão, Ricardo Vaz e Nuno Dias perceberam o que precisavam e as coisas foram acontecendo até conseguirem arrancar com o projecto.
Um ano depois tem 34 atletas federados, entre os 5 e os 16 anos, um número muito superior ao que imaginavam ter no primeiro ano de actividade. Têm atletas de Alpiarça, Almeirim, Fazendas de Almeirim ou Glória do Ribatejo. A maioria treina três vezes por semana. Os que estão em competições treinam com Beto Lopes, professor de Educação Física e treinador que se disponibilizou para ajudar a escola.
A Escola de Ciclismo de Alpiarça é uma secção do Clube Desportivo “Os Águias” e os atletas costumam treinar ao final da tarde. O MIRANTE encontrou o grupo perto das piscinas municipais, onde há imenso espaço para pedalar ao longo da Barragem dos Patudos. Uns estão a terminar os treinos, outros a começar. Todos equipados a rigor. Os atletas dividem-se em escalões: benjamins e pupilos; iniciados; infantis; juvenis e este ano tiveram cadetes. No próximo ano desportivo vão ter juniores. A Escola de Ciclismo de Alpiarça dedica-se às modalidades de BTT-XCO; Estrada e Ciclocross.
César Galvão, de 47 anos, é bancário e conta a O MIRANTE que deveria ser apenas mais um pai a apoiar os seus filhos que integram a escola mas a paixão pelo ciclismo e BTT fazem-no ir mais além. “Ando a tirar um curso de treinador para poder ajudar, mas sou responsável pela parte técnica e um dos directores da secção. O meu filho mais velho desde criança que me pedia para irmos dar uma voltinha de bicicleta pela barragem. Foi assim que ganhei o bichinho da modalidade e concretizámos o sonho da escola de ciclismo”, afirma.
O bancário confessa que o projecto só faz sentido pelo sorriso dos atletas e também pelo apoio incondicional dos pais que fazem tudo para que nada falhe nas provas e nos treinos. “Os pais são um pilar fundamental que apoia, tanto nos treinos como nas competições. Além disso, é uma modalidade cara, sobretudo no que toca aos equipamentos, e mesmo assim os pais estão sempre lá. Acompanham os filhos às competições. Temos também amigos que nos oferecem o que precisamos, como uma carrinha para transportar equipamento. Se não fosse assim era impossível alcançarmos o que temos conseguido”, garante César Galvão, que olhando para trás considera o percurso “excepcional”.
César Galvão explica a O MIRANTE que não tem sido difícil recrutar jovens para o ciclismo. O facto de Alpiarça ser um concelho com muitas tradições no ciclismo tem ajudado ao sucesso. O maior problema é o custo do material, que é caro. O bancário refere que a Federação Portuguesa de Ciclismo está a desenvolver alguns projectos para que o apoio possa chegar aos pais ou às escolas.
Os próximos objectivos passam por manter os mesmos atletas, recrutar mais, manter os pais motivados a ajudarem os filhos e que sintam que a escola de ciclismo lhes transmite valores importantes no desporto e que podem levar para a vida, nomeadamente solidariedade, responsabilidade e capacidade de superação. “É como dizemos sempre: eles valem por eles próprios e sabem que todos são necessários para o sucesso em equipa”, conclui César Galvão.

Uma escola que
faz campeões

A Escola de Ciclismo de Alpiarça tem três atletas que se destacam pelos títulos conquistados. Bárbara Cunha tem 13 anos e não escondeu a emoção quando há poucas semanas soube que foi chamada à selecção nacional da modalidade. “Primeiro fiquei sem reacção, depois chorei de alegria. Estou a ser observada para fazer alguns treinos pela selecção nacional. Nunca pensei que isto pudesse acontecer tão cedo”, afirma a O MIRANTE com um sorriso rasgado.
A jovem de Fazendas de Almeirim praticava natação quando um professor a desafiou a experimentar BTT. Foi amor à primeira vista. Está na Escola de Ciclismo de Alpiarça quase desde o início porque os seus amigos também foram para a mesma escola. Bárbara Cunha conquistou vários primeiros lugares em BTT e este ano vai competir em provas de estrada e ciclocross. O seu sonho é ser profissional de ciclismo e conciliar com o trabalho de fisioterapeuta, que ambiciona.
Duarte Galvão tem 16 anos e é de Alpiarça. Filho mais velho de César Galvão, pratica BTT-XCO e Ciclocross. Em Outubro deste ano sagrou-se campeão regional e campeão nacional da modalidade. Praticou futebol mas não gostou e experimentou natação mas também se fartou. Sempre gostou de bicicletas e a paixão foi crescendo. Confessa sentir adrenalina enquanto está em cima da bicicleta. O seu maior sonho é ser profissional de BTT e conciliar com um curso ligado ao desporto ou à saúde, outra área que o apaixona.
Beatriz Rodrigues, de 13 anos, conquistou o título de campeã regional recentemente e recorda a emoção de cruzar a meta em primeiro lugar. Praticou triatlo, futebol, atletismo e natação até descobrir o BTT quando frequentava o triatlo. À semelhança dos seus companheiros de equipa sonha ser ciclista profissional e os Jogos Olímpicos seriam o topo da sua carreira. “Sou feliz e isso é o mais importante”, afirma com um brilho no olhar.

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