Desporto | 04-01-2023 15:00

Aprender ginástica e a ser melhor pessoa no Gimno Clube de Santarém

Aprender ginástica e a ser melhor pessoa no Gimno Clube de Santarém
O Gimno Clube de Santarém é uma referência na formação de atletas na modalidade de ginástica de trampolins

O Gimno Clube de Santarém é uma referência na formação de atletas na modalidade de ginástica de trampolins.

A associação é conhecida nos quatro cantos do mundo por ser a principal responsável pela organização da Scalabiscup, uma prova que traz centenas de ginastas à capital do Gótico e que vai integrar o circuito de taças do mundo. O MIRANTE foi conhecer a realidade de uma associação que conta com o talento de cerca de 130 atletas e o esforço de uma direcção que aposta em fazer serviço público.

Fernando Gaspar é presidente do Gimno Clube de Santarém (GCS) e um dos rostos mais conhecidos e acarinhados da associação que se dedica à prática de ginástica de trampolins há 25 anos. O ex-ginasta do Cartaxo é treinador no clube há quase duas décadas e o principal responsável pela dimensão que o mesmo alcançou nos últimos anos, tendo como ex-libris a Scalabiscup, uma prova internacional que se realiza todos os anos em Santarém e que traz centenas de atletas à cidade.
Todos os dias da semana a nave dois do pavilhão municipal enche-se de jovens para treinar num ambiente onde reina a boa disposição, mas principalmente onde o foco e a capacidade de superação são colocadas à prova. O crescimento do clube tem sido gradual. Neste momento conta com mais de 130 atletas de várias faixas etárias; motricidade infantil (2 a 4 anos), iniciação (5 a 6 anos), formação (7 a 11 anos), recreação (+12 anos) e competição (+11 anos). Também é normal ver em acção atletas mais velhos, com mais de 20 ou 30 anos. O processo de captação de talento é o habitual. “Tentamos fazer uma aproximação às escolas, mas o chamado ‘boca a boca’ é que traz pessoas. Trabalhamos para o atleta se sentir bem ao longo de toda a experiência”, explica a O MIRANTE o dirigente, que conta com a ajuda de uma equipa de seis pessoas nos órgão sociais do clube.
Fernando Gaspar explica que as receitas do GCS permitem-no ser auto-sustentável. Com um orçamento de cerca de 50 mil euros anuais as mensalidades rondam os 30 euros mensais, valor que considera aceitável tendo em conta que os atletas podem treinar todos os dias em condições únicas para a prática da modalidade. “Recentemente gastámos muito dinheiro em trampolins que não existem em muitos pavilhões do país. Se queremos ter atletas com boas performances, e em segurança, temos de investir”, sublinha.
Para Fernando Gaspar a ginástica de trampolins em Santarém sempre teve um número considerável de ginastas, muito por culpa do mentor da modalidade, Luís Arrais. Os pais também têm uma relação de proximidade com o clube e são essenciais para o seu bom funcionamento. “Temos de depender muito do apoio dos pais, no que toca a deslocamento para provas, aos equipamentos, porque ainda não conseguimos oferecê-los, entre outros aspectos. Temos de ser uma verdadeira família para continuar a fazer serviço público”, vinca.
O presidente, que é Técnico Superior de Desporto na Fundação Inatel, reconhece que o associativismo no concelho já viveu melhores dias. “Penso que as pessoas continuam a ter amor à camisola. A questão é que a vida associativa não tem nada a ver com o que era há 10 anos. Hoje há muito mais burocracias e responsabilidades. Não basta querer ajudar, é preciso ter capacidade para o fazer”, afirma. Fernando Gaspar concorda com a ideia que o estatuto de dirigente associativo deveria ser mais reconhecido. “Em Portugal não há investimento na formação desportiva e nas pessoas que estão a liderar as associações. Se houvesse preocupação nesta área não tenho dúvidas que os jovens cresceriam com mais princípios e valores”, salienta.

Um clube de campeões
No Gimno Clube de Santarém todos dão o seu contributo. A equipa técnica é composta por seis pessoas e já há atletas que acumulam as funções de treinador. É o caso de Matilde Brilhante, uma jovem de 18 anos que sonha um dia competir nos Jogos Olímpicos. No clube desde os sete anos, Matilde reconhece, no entanto, que ainda tem muito para aprender e que o sucesso só se alcança se não “queimar etapas” no processo de aprendizagem. No próximo ano quer estudar na Escola Superior de Desporto de Rio Maior para ficar perto de casa e continuar a fazer o que mais gosta: ginástica de trampolins. Já participou em cinco campeonatos do mundo, em países como Bulgária, Rússia ou Tóquio.
Fernando Gaspar recorda que o GCS é um clube de formação e que é frequente todos os anos terem campeões distritais e nacionais. O dirigente afirma com orgulho que já tiveram mais de uma dezena de ginastas a participar em campeonatos do mundo, mas que o grande foco da associação é a formação de homens e mulheres. “Queremos que os miúdos treinem para ser o melhor que conseguirem, sem pressões. É muito fácil falhar se focarmos muito no resultado por isso a tarefa é sempre o mais importante”, sublinha.

Santarém recebe melhores ginastas numa prova única

A Scalabiscup nasceu há uma dezena de anos devido ao facto do distrito de Santarém ter no seu currículo três atletas olímpicos: Nuno Merino, Ana Rente e Diogo Nascimento. Não sendo a competição com o nível mais alto, é uma das que tem a participação de mais ginastas a nível mundial. “A maioria das vezes temos mais ginastas do que um próprio campeonato do mundo. O ano passado tivemos 698 ginastas. Ocupamos dois pavilhões, são três dias de loucura”, explica Fernando Gaspar, acrescentando que nas últimas três ou quatro edições a participação de atletas estrangeiros chegou a metade das inscrições. “Houve anos em que tivemos 18 países. O ano passado tivemos 12 ou 13 diferentes. Já veio gente da Austrália, Argentina, Canadá, África do Sul, Rússia… É efectivamente uma prova mundial”, salienta.
A Scalabiscup realiza-se em Julho e exige um esforço acrescido por parte de todos os elementos da associação, principal responsável pela organização da prova. “Naquela semana da prova temos perto de 40 pessoas a trabalhar. Os pais dos nossos atletas também nos ajudam, assim como os próprios atletas. Tivéssemos nós mais, mais faríamos. Fruto do nosso sucesso e do trabalho desta gente em 2023 a prova vai fazer parte do circuito de Taças do Mundo”, revela Fernando Gaspar.

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