Desporto | 23-04-2023 15:00

Academia “O Batuque” é uma fábrica de talentos em Marinhais

Academia “O Batuque” é uma fábrica de talentos em Marinhais
Empenho dos alunos é o segredo do sucesso da Academia O Batuque

Quase todos os alunos que passam pela Academia de Artes “O Batuque”, em Marinhais, decidem continuar ligados às mais diversas áreas artísticas e criar os seus próprios projectos.

A associação integra mais de uma centena de crianças e jovens, muitos deles vindos de fora do concelho de Salvaterra de Magos.

A Academia de Artes “O Batuque”, em Marinhais, começou por ser um atelier na junta de freguesia, com o propósito de promover a cultura através da música e de chegar aos habitantes que não tinham possibilidades de pagar a uma escola para aprenderem a arte. O interesse da comunidade por outras áreas artísticas fez com que se fundasse uma associação, em Outubro de 2014, que actualmente tem um leque de mais de duas dezenas de actividades, nomeadamente dança, artes plásticas, canto, teatro, entre outras.
A maior parte dos professores e membros da direcção aprenderam tudo o que sabem na associação do concelho de Salvaterra de Magos. Ricardo Neiva, 27 anos, começou como aluno de piano e mais tarde licenciou-se em música, tendo ainda frequentado o curso profissional de Actores de Teatro Musical, disciplina que lecciona na associação, além do piano e do coro. A sua evolução levou-o a criar uma banda (FIVE) com André Oliveira, filho do presidente da associação, Samuel Palhas e Mariana Seixas, todos membros integrantes da academia de artes. Além da banda, Ricardo Neiva tem um projecto a solo, “Neiva” e já participou em vários programas de televisão de talentos.
Eduardo Oliveira, 55 anos, é presidente da associação desde a sua fundação. Mestre em Contabilidade e Finanças pela Escola Superior de Gestão e Tecnologia de Santarém, trabalha em Lisboa há mais de três décadas e dedica todo o seu tempo livre ao projecto, que nasceu em 2012. David Sousa, actual vice-presidente e também professor de música na associação, e Fátima Gregório, presidente de junta à altura, também são membros fundadores.
A maior dificuldade da associação tem sido garantir o equilíbrio financeiro. Embora a direcção trabalhe de forma voluntaria e as instalações estejam cedidas pela câmara municipal, as mensalidades servem apenas para pagar os ordenados dos professores, manutenção do espaço e seguros. “Se tivéssemos mais financiamento ou um financiamento regular conseguíamos ter melhores condições e cativar mais pessoas através da realização de mais eventos e actividades”, afirma a O MIRANTE Eduardo Oliveira. “Quanto mais Cultura houver melhor o concelho se desenvolve. É preciso que as pessoas cresçam com a Cultura para se acostumarem a ela”, acrescenta.
A Academia de Artes, sediada no antigo Jardim de Infância de Marinhais, está aberta a qualquer projecto, tendo disponíveis várias salas devidamente equipadas, um estúdio de gravação e uma galeria de exposições.
Ballet e dança contemporânea
Sofia Pereira, 21 anos, propôs abrir as modalidades de dança contemporânea e ballet na associação. Primeiro veio a dança contemporânea, a meio do ano lectivo de 2021, e depois o ballet, no início deste ano, numa altura em que procurava aumentar o seu currículo e experiência, uma vez que está a tirar uma licenciatura na área da dança em Lisboa. Por arrasto, trouxe a irmã, Mariana Pereira, de 16 anos, e o primo, José Pimentel, de 19 anos. O presidente Eduardo Oliveira confessa que a associação já tinha feito uma aposta na dança, mas sem sucesso e que a jovem veio tornar essa vontade numa realidade: “a Sofia tem tido muita arte e engenho para cativar as pessoas para a prática da dança”, salienta.
De segunda a sexta, a aluna tira inspiração dos professores e das aulas de improvisação para criar as coreografias. Sofia ainda dá aulas de dança contemporânea, às sextas e sábados, no Clube Associativo Desportivo de Coruche. O percurso na dança começou aos seis anos no grupo Dream Dancing, em Salvaterra de Magos, mas foi na Edades - Escola de Dança dos Bombeiros Voluntários de Benavente, com a professora Marta Ferreira, que nasceu a paixão: “a paixão começou através da dança contemporânea pela sua expressividade e por poder passar informação ao público sem uma ideia pré-definida. Num dia posso querer fazer uma coisa cómica, noutro uma coisa mais triste”, refere. Depois de terminar a licenciatura, Sofia vai entrar no mestrado em Ensino da Dança para poder ensinar em conservatórios em paralelo com as associações que a acolherem. Um dos seus desejos é trazer para Salvaterra de Magos o ensino articulado e apostar em disciplinas de técnicas, como aulas de barra de chão.

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