Desporto | 24-05-2023 18:00

Sporting de Abrantes faz 100 anos e gostava de ter uma sede como prenda

Sporting de Abrantes faz 100 anos e gostava de ter uma sede como prenda
Nova direcção do Sporting Clube de Abrantes tomou posse há cerca de dois meses e comemoram agora o centenário do clube

Sporting Clube de Abrantes comemora o seu centenário esta quinta-feira, 18 de Maio. Depois de um impasse directivo desde 2019, “15 malucos” decidiram juntar-se e criar uma lista que foi eleita e tomou posse em Março. Em dois meses não conseguiram criar um programa apropriado para o aniversário mas garantem que vão realizar diversas iniciativas ao longo do ano para assinalar um século de vida. Actualmente estão a arrumar a casa e já têm mais duas modalidades além do atletismo: o ténis de mesa e, em breve, o xadrez. Os novos dirigentes querem devolver ao clube a grandiosidade que teve noutros tempos.

Os dirigentes do Sporting Clube de Abrantes são unânimes no presente que ofereciam ao clube pelo seu centenário, que se assinala a 18 de Maio: que a sede passe a ser propriedade do clube. O edifício, no centro histórico de Abrantes, está cedido gratuitamente ao clube há muitos anos por uma família. “O antigo dono tinha intenção de doar formalmente o imóvel ao clube. Entretanto faleceu e continuamos a dividir o edifício com o Orfeão de Abrantes, que vai para uma nova sede em breve. Estamos em negociações com os proprietários para ficarmos com o edifício porque só sendo nosso é que podemos candidatar-nos a fundos comunitários para fazermos obras. É um espaço antigo que necessita muito de obras”, explica José Belém, presidente da direcção do clube, acrescentando que pretendem que a sede seja local de encontro de sócios, atletas e população.
O Sporting de Abrantes ultrapassou o impasse directivo que se arrastava desde 2019 após “15 malucos” terem aceitado o desafio de formar uma lista. Tomaram posse a 5 de Março deste ano e estão a arrumar a casa. O presidente da assembleia-geral, Rui Santos, explica a O MIRANTE que em dois meses já conseguiram tratar de alguma coisa, sobretudo a parte da contabilidade, que era fundamental para poderem ter apoio financeiro do município.
O clube, que só tinha atletismo, conseguiu aumentar o número de atletas na modalidade, que agora são 25, e têm também três atletas veteranos, dedicados ao trail. Já iniciaram a modalidade de ténis de mesa com 18 atletas e dois treinadores. “Esperamos conseguir, até início de Agosto, avançar com o xadrez”, refere o presidente da assembleia-geral. “Queremos devolver uma instituição que é da cidade e do concelho. Queremos dar à cidade um clube na máxima força e este clube sem a cidade não faz sentido. Esta equipa veio para ficar e trabalhar. Queremos deixar a casa arrumada para os que vierem depois de nós”, reforça o presidente da direcção.
O clube tem cerca de 200 sócios mas essa é uma parte que está a ser trabalhada. Pedro Redondeiro, segundo secretário da assembleia-geral, tem sido o homem que anda no terreno a dar a conhecer à comunidade a reactivação do clube e a angariar novos sócios ou a recuperar sócios antigos. A quota anual é de 15 euros. Além disso, a nova direcção quer que cada atleta seja sócio do clube. Não paga quotas, apenas a mensalidade habitual dos atletas.
O Sporting Clube de Abrantes tem um orçamento anual de cerca de 12 mil euros que inclui as comemorações para o centenário. “Tomámos posse há cerca de dois meses. Era impossível fazermos uma boa programação para o centenário. Decidimos que ao longo do ano e até Maio do próximo ano vamos desenvolver diversas actividades desportivas e assinalarmos desta forma os 100 anos do clube”, realça Rui Santos. Em Junho, inserido nas Festas da Cidade de Abrantes, vai decorrer um torneio de ténis de mesa. Em Agosto está prevista uma prova de desporto motorizado, uma modalidade que esteve sempre muito ligada ao clube, sobretudo nos anos 80 e 90 do século passado. No dia do centenário, a 18 de Maio, será descerrada uma placa evocativa da data na sede e um pequeno beberete com música e convívio. A 27 de Maio realiza-se o jantar de aniversário do clube e a direcção apela a quem quiser juntar-se à festa que contacte os dirigentes.

Pais são fundamentais e parte integrante do clube
Para José Belém, os pais são muito importantes no crescimento do clube. São eles que levam e trazem os filhos aos treinos assim como às competições, o que é uma “ajuda tremenda” para o clube. “No dia seguinte às eleições viemos ao estádio municipal, onde decorrem os treinos de atletismo, cumprimentar os atletas e nesse dia marcámos uma reunião com os pais. Quisemos dar-nos a conhecer e estreitar relações. Os pais são parte integrante do clube e queremos que sintam que esta direcção não está ausente. Somos todos uma família que, além de formar atletas, também está a formar homens e mulheres”, destaca o presidente da direcção.
O Sporting Clube de Abrantes pretende diferenciar-se apostando em modalidades que não existam noutros clubes do concelho. “Não quer dizer que com o passar do tempo não tenhamos modalidades que existam noutros clubes mas, inicialmente, queremos fazer uma aposta diferenciada. Queremos fazer o nosso caminho com calma e os pés bem assentes na terra”, justifica Rui Santos. Cativar atletas não é fácil sobretudo num concelho onde existem tantas colectividades e clubes desportivos. Os dirigentes querem demonstrar à população que o clube está activo e os resultados, sobretudo no atletismo, falam por si, que têm “sido excelentes”.

Associativismo corre o risco de desaparecer

O associativismo, nos moldes em que está, corre o risco de desaparecer dentro de duas décadas. A afirmação é do presidente da assembleia-geral, Rui Santos, que defende que os dirigentes poderiam ter direito a determinadas horas para poderem faltar ao emprego para estarem ao serviço das colectividades. “A vida é cada vez mais agitada, sempre com coisas para fazer e as pessoas têm cada vez menos tempo para se dedicaram ao associativismo. Remunerar os dirigentes associativos seria desvirtuar o associativismo mas caminhamos cada vez mais para a sua profissionalização e se não for esse o caminho é provável que deixe de existir dirigentes, o que vai acabar com o associativismo”, lamenta Rui Santos.

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