Desporto | 27-08-2023 18:00

Princípios e valores são o mais importante na patinagem artística em Torres Novas

Princípios e valores são o mais importante na patinagem artística em Torres Novas
Secção de patinagem artística do Clube Desportivo de Torres Novas tem cerca de meia centena de atletas

A patinagem artística do Clube Desportivo de Torres Novas tem como missão promover bons princípios e valores nos seus atletas, complementando com os resultados desportivos. O treinador Joaquim Lopes está há mais de meio século ligado a uma modalidade que considera ser uma das suas grandes paixões.

O Clube Desportivo de Torres Novas (CDTN) destaca-se como pioneiro na promoção e desenvolvimento da patinagem artística na região. Fundado em 1967, o clube foi o segundo do país a ter a modalidade, segundo explica a O MIRANTE Fátima Antunes, responsável pela secção. Composta por mais de meia centena de atletas federadas, com idades entre os 3 e os 30 anos, a secção, não se limita a treinar a técnica ou o físico; a missão vai além da excelência técnica, promovendo também princípios e valores como a cooperação, respeito, amizade, resiliência e honestidade. Mais do que apenas alcançar objectivos desportivos, a associação procura incutir nos atletas que o desempenho nas competições não é suficiente para criar um desportista completo. O CDTN participa em competições e torneios a nível distrital, eventos promovidos pela Federação Nacional de Patinagem e pela Associação de Patinagem do Ribatejo, bem como actividades de diversos clubes e testes para progressão de nível.
Fátima Antunes, 50 anos, revela que, embora nunca tenha praticado patinagem, o seu envolvimento começou quando a sua filha demonstrou interesse na modalidade em 2010. Movida pela paixão e dedicação, Fátima Antunes assumiu a responsabilidade pela secção em 2013. O período mais difícil ocorreu durante a pandemia, quando o clube enfrentou uma redução significativa no número de atletas, mas a resiliência e apoio dos pais, que se uniram para superar as adversidades, levou à superação e crescimento. A falta de espaços apropriados para a prática da modalidade, que requer um piso específico, é um obstáculo significativo dada a diversidade de modalidades disponíveis em Torres Novas que utilizam os mesmos espaços, lamenta. No futuro, a dirigente tem como objectivos continuar a levar o nome da cidade de Torres Novas além-fronteiras, promover a região ribatejana através do desporto, atingir mais resultados desportivos, aumentar o número de atletas em torneios e no clube, assim como fazer de algumas atletas futuras treinadoras do CDTN.

Um elemento essencial
Uma das pessoas mais importantes na secção é o treinador Joaquim Lopes, cuja abordagem humana e respeito pelo ritmo individual de cada atleta têm sido cruciais na formação e na construção de uma equipa de sucesso. Joaquim Lopes, 60 anos, residente em Torres Novas, é treinador da secção desde a época de 2021. Aos 10 anos jogava futebol quando o destino traçou um novo rumo, o da patinagem. Como irmão mais velho acompanhava a sua irmã até ao treino onde ficava sentado a observar. Começou com uma função de apoio, mas evoluiu para o desafio de experimentar os patins lançado pela treinadora da sua irmã. Os patins substituíram as chuteiras e a patinagem artística tornou-se logo uma paixão. Joaquim Lopes encontrou na patinagem um desafio constante “por ser uma modalidade completa, que implica a combinação de desafios físicos e artísticos, envolve música, dança, ginástica, força e coordenação”. Ao longo dos anos destacou-se como campeão distrital de Santarém, coleccionando títulos anuais. A nível nacional, o seu talento e trabalho conquistaram três títulos de campeão nacional. Foi seleccionado para representar Portugal em Espanha, considerando esse momento o auge da sua carreira como atleta.
Por volta dos 18 anos tirou o curso de treinador de patinagem artística, mas aos 20 anos, foi obrigado a cumprir serviço militar. Ao terminar, Joaquim Lopes começou uma carreira como contabilista. A sua paixão pela patinagem nunca esmoreceu e um convite inesperado da sua antiga treinadora voltou a acender a chama. Joaquim Lopes embarcou numa nova jornada como treinador de patinagem artística no CDTN e, a partir daí, foi treinador em diversos clubes da região, destacando-se a passagem de 30 anos pelo Juventude Ouriense. Em 2021, o Clube Desportivo de Torres Novas enfrentava algumas dificuldades e convidou-o a regressar.
Ao longo de cinco décadas na modalidade, Joaquim Lopes tem acompanhado a evolução da patinagem artística em Portugal. “Quando era atleta, aos 18 anos, fui a um torneio e um homem disse-me para largar os patins que a patinagem era para meninas. Eu respondi-lhe que se ele era um grande homem que viesse fazer aquilo que eu tinha feito e ele calou-se”, conta o treinador. A jornada na patinagem artística enriqueceu-o pessoalmente, incutindo-lhe disciplina, resiliência e persistência, acrescenta. Gerir as emoções é o que o treinador considera o ingrediente principal para o sucesso na patinagem ou noutra modalidade qualquer. “Um atleta tem que expressar as emoções, mas deve saber quando fazê-lo. É isso que diferencia os grandes atletas”, vinca.

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