Desporto | 13-04-2024 18:00

Clube de Judo de Torres Novas tem 100 praticantes num desporto que é muito psicológico

Clube de Judo de Torres Novas tem 100 praticantes num desporto que é muito psicológico
Nuno Ribeiro e Kátia Sombra são os técnicos responsáveis pela administração e treinos do Clube de Judo de Torres Novas.

Nuno Ribeiro é há cinco anos o responsável pela secção de judo do Clube de Judo de Torres Novas. Ele e Kátia Sombra são os únicos técnicos responsáveis e pretendem voltar a conquistar títulos e fazer a diferença na vida dos mais jovens através da transmissão de valores que vão além da vertente desportiva.

O Clube de Judo de Torres Novas, que chegou a estar inactivo entre 2005 e 2010, está num grande momento. Nuno Ribeiro, responsável pela secção de judo, afirma que além do crescimento desportivo, incutir valores como o respeito, disciplina e amizade é uma das principais missões do clube. Técnico de turismo de profissão, o seccionista começou a praticar com 19 anos por influência do irmão. Há nove anos juntou-se ao Clube de Judo de Torres Novas e há cinco ficou como coordenador do judo. Juntamente com Kátia Sombra são os únicos técnicos responsáveis no clube.
O processo de crescimento continua, com bons resultados em competição e com o aumento das turmas que, actualmente, contam com 100 praticantes dos 3 aos 55 anos de idade. Recentemente conquistou dois segundos lugares, no Campeonato Nacional de Juvenis e na Copa de Espanha. É pena, lamenta Nuno Ribeiro, que seja cada vez mais difícil manter atletas depois dos 18 anos porque os treinos e provas são exigentes em termos físicos e porque os jovens vão para as universidades e desligam-se da modalidade. Outra dificuldade é encontrar pessoas disponíveis para o associativismo.
O maior desafio de um judoca, considera o seccionista, é saber gerir a parte psicológica. “O judo primeiro é psicológico, temos de ter estratégias e tácticas bem definidas e só depois usamos o físico. O poderio físico não significa que vamos vencer o combate porque se o adversário tiver uma boa estratégia pode perfeitamente ganhar” explica. O facto de o judo ser um desporto individual é outro factor de pressão uma vez que as atenções estão somente no atleta.
No Clube de Judo de Torres Novas há jovens a treinar praticamente todos os dias e com treinos bi-diários nas férias tendo também componentes de introdução à musculação e de aspectos técnicos. Os objectivos futuros são continuar o processo de crescimento e conseguir atrair mais jovens para a modalidade, bem como, a curto-prazo, conseguir ganhar medalhas do campeonato nacional de juvenis que se realiza em Junho.

Pedro Sardinha, Tomás Lopes e Pedro Costa são atletas Clube de Judo de Torres Novas

Judo promove valores como disciplina, respeito e amizade

Disciplina, respeito e amizade são os valores universais do judo e, defende Nuno Ribeiro, é fundamental que haja boa relação e respeito entre adversários. As razões que levam os jovens a procurar a modalidade são diversas, mas a auto-confiança é a principal. “Há jovens que procuram o judo para se sentirem mais seguros e confiantes. Cada vez se fala mais de bullying e de confrontos físicos e o judo permite aos jovens aprender a gerir as suas emoções e saberem defender-se cria confiança. Não no sentido de atacar e intimidar, mas justamente pelo contrário, saber gerir a calma e as situações”, explica. Outra causa apontada é o excesso de energia nas crianças e por isso Nuno Ribeiro aconselha a modalidade uma vez que exige picos de energia e calma, ensinando a lidar com diferentes emoções.
Pedro Costa, Tomás Lopes e Pedro Sardinha têm 13 anos e são atletas do clube. Pedro Costa e Tomás Lopes estão no clube desde os quatro anos. Pedro Sardinha conquistou o segundo lugar no campeonato nacional e Pedro Costa também alcançou a prata na Copa de Espanha. Tomás Lopes, em jeito de brincadeira, diz que ainda não conseguiu nenhum prémio de destaque mas que irá continuar a trabalhar para isso. Pedro Costa acredita que os melhores amigos vêm do desporto e não da escola, opinião que partilha com Pedro Sardinha que confessa ser mais tímido na escola e que o judo o obriga a ter momentos de convívio com outros atletas. Tomás Lopes defende que o tempo passado em conjunto nos treinos e nas competições ajuda a estreitar laços de amizade.
Os jovens sentem que existe uma diferença de comportamentos entre atletas de artes marciais e não praticantes, pelos valores incutidos, como lealdade, honra, disciplina e amizade. Consideram que a gestão de emoções e a disciplina são os principais factores que os diferenciam de jovens da mesma idade que não praticam a modalidade.

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