Desporto | 12-06-2024 18:00

Subida do FC Alverca à 2ª Liga sem impacto na comunidade

Subida do FC Alverca à 2ª Liga sem impacto na comunidade
TEXTO COMPLETO DA EDIÇÃO SEMANAL
João Serrão, José Taganha, António Alves, Silvino Ferreira e Luís André

Apesar da recente subida do Futebol Clube de Alverca à 2ª Liga de futebol, após 19 anos fora dos campeonatos profissionais, o entusiasmo de moradores e comerciantes da cidade permanece morno. Enquanto alguns sócios criticam a gestão da SAD e outros lamentam a falta de envolvimento da comunidade, a maioria acredita que a mudança não trará um impacto significativo na economia local.

O MIRANTE calcorreou as ruas de Alverca do Ribatejo para ouvir comerciantes e moradores sobre a sua ligação ao clube da cidade, o Futebol Clube de Alverca (FCA). Numa altura em que a equipa de futebol sénior do clube subiu à Liga 2, após 19 anos sem marcar presença nos campeonatos profissionais, o dia a dia não mudou e para a maioria vai continuar tudo na mesma. Apanhámos ainda sócios que apoiam o clube mas que não concordam com a gestão da SAD (sociedade anónima desportiva) para o futebol. É o caso de Carlos Delgado, sócio há mais de 25 anos. Nos últimos dois anos não vai ao estádio ver jogos e lamenta que Alverca seja um dormitório em que as pessoas não têm garra pelo clube local, como noutras zonas do país. Mesmo com bilhetes à borla preferem fazer outra coisa e não vão ao estádio. “Não concordo com a SAD, é uma roubalheira. O Alverca era um clube muito melhor antes da SAD. Ainda por cima é a mesma SAD do Santa Clara e se eles não subissem o Alverca também já não subia, e isso não devia existir”, afirma.
Sentado na cadeira da esplanada de um café no centro da cidade, António Alves relata que já foi sócio mas enquanto a SAD estiver no comando não volta a pagar quotas. Acompanha os jogos em casa das equipas de formação mas lamenta o pouco movimento em volta do clube. João Serrão recorda os tempos em que ia ao estádio ver os jogos, mas desde que foi maltratado verbalmente na bancada nunca mais foi nem faz intenção de regressar. “Para mim tanto faz que tenham subido ou não de divisão, vai ficar tudo na mesma. Também quando estiveram na primeira divisão não se notaram grandes diferenças na cidade”, afirma. Sentado ao lado, José Taganha não é sócio mas no final das épocas costuma assistir aos jogos no estádio e considera que a subida de divisão terá retorno na restauração. Já José Henriques não acredita em mais movimento até porque nos estabelecimentos são sempre os mesmos.

Pouco impacto na economia local
Na Rua dos Lavadouros alguns dos reformados estão mais preocupados com as baixas pensões e o elevado custo de vida. “Aqui é só sueca e damas”, dizem, sem interesse na bola. Joaquim Lima já foi sócio do FCA mas não pretende voltar a ser nem ir ao estádio ver jogos. Quanto muito vai ao bar do clube e não tem paciência para acompanhar o futebol. Vital não é sócio e nem faz intenção de ser mas admite que de vez em quando vê os jogos.
Os comerciantes não acreditam num impacto económico significativo no negócio e contam com os clientes habituais. Com um café snack-bar aberto há oito meses, Júlio Santos explica que os clientes não ligam ao futebol e não comentaram a subida de divisão do FCA. O proprietário viu o jogo entre o Alverca e a Académica, que ditou o clube da cidade como campeão da Liga 3. “Para nós a subida de escalão do clube não trará grande vantagem até porque fechamos ao domingo”, disse.
O FC Alverca oferecia bilhetes aos estabelecimentos para quem quisesse ver os jogos no estádio. Mas a situação deverá mudar com a subida ao campeonato profissional. A opinião é de Luís André, que tem uma pastelaria aberta há 24 anos. “Não vejo os jogos pois estou a trabalhar. Poderá ser melhor mas para os restaurantes, que podem servir mais almoços. Eu estou aberto em dias de jogo mas não noto diferenças nos clientes. Acompanhei o clube quando esteve na 1ª Liga mas nunca fui ao estádio, via os jogos na televisão”, relatou ao jornal.
O proprietário da Pastelaria Cristal, Silvino Ferreira, tem o estabelecimento localizado nas imediações do estádio. Nota um ligeiro aumento do movimento em dias de jogo mas nada significativo. “Agora com a subida fica tudo na mesma a não ser que suba à 1ª divisão. A 2ª Liga não traz muita gente de fora”, refere.

À Margem/ Opinião

Fernando Orge: respeitinho ou bardamerda?

Fernando Orge deve achar que jornalistas são gente de ofício menor. Veremos no futuro. Para já o tribunal decidiu que chamar-lhe “pato bravo” não é ofensa.

O MIRANTE associou-se à homenagem que o município de VFX prestou à equipa e direcção do FC de Alverca e demos o nosso contributo como é nosso dever para engrandecer o clube os seus atletas e dirigentes, assim como os resultados desportivos. No final da cerimónia a jornalista de serviço falou com alguns dos protagonistas e ainda teve tempo para se dirigir ao presidente da direcção, Fernando Orge, para lhe pedir umas palavras para a reportagem. Orge respondeu ao desafio da jornalista atirando um “é melhor não” falar e quase fugiu para não haver hipótese de insistirmos. Fernando Orge está zangado com o jornal porque lhe chamámos “pato bravo” num artigo de opinião em resultado de ter proibido todas as secções do clube de falarem com O MIRANTE, assunto que levou para tribunal e que foi entretanto arquivado. Desta vez não quis falar porque ganhou algum respeitinho pelo jornal ou não teve coragem de nos mandar bardamerda antes de dizer, no mínimo, duas ou três palavras de circunstância? Vamos saber nos próximos tempos. O tribunal já decidiu que chamar-lhe “pato bravo” não é ofensa. Falta saber que outro miminho merece, no futuro, o líder do Alverca que acha que os jornalistas são gente de um ofício menor.

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