Desporto | 02-01-2026 21:00

Associação Correr+ põe o Cartaxo no mapa do atletismo nacional

Associação Correr+ põe o Cartaxo no mapa do atletismo nacional
Escola de Atletismo Correr+ , do Cartaxo, aposta na formação do atletismo regional e nacional  - foto O MIRANTE

Fundada em 2012, a Escola de Atletismo Correr+ do Cartaxo tem vindo a afirmar--se como uma referência na formação a nível nacional, somando resultados de destaque e proporcionando actividade desportiva a dezenas de jovens.

A Escola de Atletismo Correr+ do Cartaxo é uma das associações mais relevantes na formação do atletismo regional e nacional, apesar das limitações financeiras e materiais que enfrenta diariamente. Fundada em 2012, cresceu assente na persistência, voluntariado e forte ligação à comunidade por parte dos dirigentes e treinadores.
A associação surgiu após a saída de um grupo de treinadores de atletismo do Ateneu Artístico Cartaxense, entre eles Pedro Barbosa, actual presidente e treinador da Escola de Atletismo Correr+. “Há uns anos houve algumas divergências e resolvemos formar um clube só de atletismo, incluindo o ex-atleta Rui Silva, que tinha cá os filhos a praticar, tendo o nome inicial sido Escola de Atletismo Rui Silva. Depois passou para o nome actual”, explica, lembrando que o Cartaxo teve e continua a ter atletas de nível nacional e internacional.
Para o dirigente, a existência de uma associação dedicada exclusivamente à modalidade é essencial para manter viva essa tradição, tendo a construção da pista de atletismo no Estádio Municipal sido um passo importante, embora refira que ainda está longe de oferecer as condições ideais. O maior desafio da associação passa pela sustentabilidade financeira, vivendo essencialmente das quotas mensais dos atletas, fixadas em 18 euros, e da dedicação dos cinco treinadores, que não recebem qualquer remuneração.
“Somos dos únicos clubes do distrito que não temos patrocinador, embora sejamos o que tem melhores resultados ao nível da formação do atletismo. A câmara apoia no que pode, mas também não é muito, apenas na utilização grátis da pista e em algumas deslocações”, refere Pedro Barbosa. Também o dirigente Alexandre Magalhães reconhece que manter o clube em funcionamento continua a ser um exercício de equilíbrio, entre as despesas com inscrições federativas, seguros e deslocações. “Por anos gastamos mais de mil euros, é complicado”, salienta.
A filosofia do clube assenta claramente na formação, com Pedro Barbosa a defender que “todos os jovens devem ser tratados como talentos em potencial”, respeitando o ritmo de crescimento de cada um. Mais do que talento natural, os treinadores valorizam a dedicação, compromisso e vontade de evoluir, alertando que muitos atletas promissores acabam por desistir quando não se dedicam o suficiente. A mentalidade também é uma prioridade para os treinadores, com Pedro Barbosa a afirmar que no atletismo “a primeira competição é connosco próprios”, e que o mais importante é a evolução e o aproveitamento do treino, independentemente do lugar alcançado. O treinador sublinha que muitos atletas acabam por colocar uma pressão excessiva sobre si próprios, sendo essencial ajudá-los a controlar essa exigência e a focarem-se em fazer melhor.

Uma escola de jovens promessas
Apesar das dificuldades, os resultados alcançados falam por si. A associação conta actualmente com 63 atletas e tem registado um crescimento consistente e sucesso em várias competições distritais e nacionais, com pódios em provas de triatlo, lançamentos, corta-mato, entre outras. Entre os atletas que mais se têm destacado está Tomás Nobre, de 18 anos, que integra a associação há cerca de três anos. O jovem chegou ao atletismo depois de uma passagem pelo triatlo, modalidade onde a corrida já era o seu ponto forte, afirmando a O MIRANTE que a escolha de entrar na Correr+ foi devido ao trabalho, já reconhecido, de Pedro Barbosa.
O jovem atleta treina praticamente todos os dias, seguindo um plano rigoroso definido pelo treinador, que lhe valeu na época passada a conquista do terceiro lugar nos 1500 metros e o quarto lugar nos 3000 metros nos Campeonatos Nacionais de sub-20, além de um terceiro lugar no corta-mato nacional longo. Apesar dos bons resultados, ainda sente nervosismo, mas diz encarar todas as provas em que melhora as suas marcas como “provas boas”. Sobre o futuro, não hesita ao dizer que o objectivo é chegar aos Jogos Olímpicos e no plano académico quer seguir a área da Economia e tirar um curso de treino desportivo, para ganhar mais conhecimento sobre o atletismo e, caso seja preciso, também ajudar outros colegas e treinadores na associação.
Alexandre Magalhães sublinha que o percurso de Tomás Nobre reflecte bem o espírito da associação, marcado pela dedicação, disciplina e ambição, sem descurar a formação académica. O dirigente é também pai de Lara Magalhães, uma das atletas de destaque da Correr+, que este ano se sagrou campeã nacional de pentatlo em sub-14. “Nesse dia, lembro-me de ligar à minha esposa e não conseguir falar, porque estava a chorar de alegria. Foi dos momentos mais gratificantes da minha vida”, recorda, sublinhando ainda que nessa competição a associação venceu também a prova por equipas, com um total de 12.499 pontos.

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