António Marante: um talento do hóquei em patins à espera da sua oportunidade na selecção
Dedicação, esforço e talento fazem de António Marante uma grande referência do hóquei em patins na região e no país. Aos 23 anos é o guarda-redes principal do Sporting de Tomar na 1ª Divisão Nacional, clube onde cresceu e se formou. Considera que o ponto alto da sua carreira foi a conquista da Taça de Portugal e sonha conquistar mais títulos pelo clube da sua cidade. A família e amigos são o seu porto de abrigo e o jovem desportista não esconde também o amor que sente pela sua terra natal, Tomar. Uma conversa sobre sacrifício, dedicação e empenho, os pilares que considera fulcrais para o alto rendimento.
Quando é que surge o hóquei em patins na sua vida? Joguei futebol durante cerca de um ano quando era pequeno, mas quando fiz seis anos mudei para o hóquei. A maior parte dos meus amigos jogava hóquei e na altura decidi experimentar. Apaixonei-me pelo desporto e continuei até hoje.
Como foi a sua infância em Tomar? Nasci em Coimbra, mas vivi toda a minha vida em Tomar e a minha infância foi muito boa. Sempre estudei na cidade, sempre tive a minha família e amigos por perto. O hóquei sempre fez parte da minha infância e da minha juventude e também foi um dos motivos pelo qual foi tão boa. Tomar é uma cidade pequena, muito acolhedora, as pessoas são simpáticas. Gosto muito da cidade.
Como foi articular a vida pessoal com o hóquei enquanto jovem? Diria que foi fácil. Enquanto estive nas camadas de formação, os horários foram sempre flexíveis, o que me permitia conciliar a escola com o desporto e a minha vida pessoal. Com 15 anos, quando entrei para o ensino secundário, a exigência a nível escolar era maior e o meu rendimento desportivo também evoluiu, o que inicialmente não foi fácil, mas consegui sempre conciliar tudo.
Enquanto atleta profissional, há tempo para namorar? A minha namorada também é de Tomar, mas trabalha em Lisboa. Por vezes é difícil conciliar a vida de ambos, mas encontramos sempre soluções para podermos estar juntos. Já estamos juntos há cinco anos e temos conseguido alcançar os nossos objectivos pessoais sem prejudicar a nossa relação.
O hóquei é a sua única actividade profissional? Sim, neste momento sou atleta a tempo inteiro. Também dou formação a guarda-redes dos vários escalões de formação jovem do Sporting de Tomar, mas neste momento estou empenhado totalmente no clube.
Houve convites de outros clubes durante a sua formação? Nunca houve nenhum convite formal, e como sempre me senti feliz no Sporting Clube de Tomar, nunca senti a necessidade de mudar de clube ou de região. Acredito que em regiões mais desenvolvidas, onde haja uma maior presença de clubes, possam surgir mais oportunidades, no entanto, estou feliz no clube e quero atingir muitos objectivos em Tomar.
Como foi o seu crescimento no Sporting de Tomar? O meu crescimento foi muito positivo e ajudou muito a ser o jogador e a pessoa que sou hoje. Cresci muito no clube, conquistei muito e pretendo conquistar ainda mais, pois este é o clube da minha cidade, é o clube que eu amo. O Sporting Clube de Tomar oferece um programa de formação como poucos clubes oferecem.
Sente pressão ao jogar no clube da sua cidade? Nunca senti essa pressão adicional, sempre me senti, talvez até mais confiante por jogar em casa e por estar rodeado da minha família e amigos. Ascendi à equipa sénior com 17 anos, fui suplente durante cerca de dois anos e empenhei-me e esforcei-me muito para ocupar a posição que ocupo actualmente. A maior pressão foi sempre imposta por mim próprio.
O que representa o Sporting Clube de Tomar para si? É um clube de uma enorme resiliência, que está enraizada na cultura do clube e da nossa equipa. Trabalhamos de forma árdua diariamente para atingir objectivos e para alcançar os melhores resultados. Somos um clube que não possui os maiores meios económicos, contudo, dedicamo-nos a cem por cento diariamente, de modo a competir com os maiores clubes europeus. Somos profissionais e enquanto colectivo somos muito empenhados e competitivos.
Com 23 anos, ainda não foi convocado à selecção nacional, nem nos escalões de formação nem como jogador sénior. É uma mágoa ou é ainda um objectivo na carreira? Não encaro como mágoa, de forma alguma. Acredito que tudo vem a seu tempo e com muito esforço e dedicação é possível alcançar todos os nossos objectivos. Tenho o objectivo de representar a selecção nacional, como todos os atletas. Mas o meu foco diário é para com o clube e em atingir os melhores resultados.
“É necessário sacrificar momentos para atingir resultados”
É possível viver totalmente do hóquei em patins em Portugal? Acredito que seja uma realidade apenas para um nicho de atletas. Nem todos os clubes conseguem obter verbas suficientes para poder pagar ordenados a todos os jogadores. Na 1ª Divisão, há vários clubes cujos jogadores são atletas a tempo inteiro e não necessitam de exercer outra actividade profissional. É um desporto cuja visibilidade não é suficiente para a vasta maioria dos clubes conseguirem empregar os seus atletas.
Pensa vir a ser treinador no futuro ou exercer alguma actividade ligada ao desporto? Tenho 23 anos e neste momento estou focado em jogar e atingir os meus objectivos enquanto jogador. Após terminar a minha carreira, pretendo continuar associado ao hóquei em patins. Amo esta modalidade e pretendo fazer dela a minha vida.
Como se vê daqui a cinco anos? Vejo-me focado em atingir os meus objectivos enquanto atleta profissional. Tenho muitos sonhos que quero alcançar no Sporting Clube de Tomar.
Quem é a sua maior referência no desporto? Cristiano Ronaldo, por ser português e acima de tudo por aquilo que ele conquistou durante a sua carreira, por todos os recordes que alcançou e pela sua história de vida inspiradora.
Quais são os seus maiores objectivos? O meu maior objectivo é conquistar títulos pelo Sporting Clube de Tomar. Ser campeão nacional e europeu são os maiores objectivos e estou focado em conquistar esses títulos. Esta época já fomos eliminados das competições europeias, mas continuamos empenhados em vencer o Campeonato Nacional e a Taça de Portugal.
Um conselho para a geração hoquista mais jovem? É preciso muito esforço, dedicação e espírito de sacrifício. No desporto há que abdicar do lazer em prol dos objectivos que procuramos atingir. Enquanto jovens, por vezes é difícil não nos distrairmos. Há que traçar metas e perceber que é necessário sacrificar momentos para atingir resultados.
Votou nestas eleições autárquicas? Sim, votei.
A política local e nacional é um dos seus interesses? Tenho investido cada vez mais o meu tempo. Considero fulcral para qualquer cidadão, interessar-se e compreender as decisões que são tomadas na nossa região, no país e no mundo, que nos influenciam a todos.
Questionário de Proust
Característica que menos gosta em si? Sou um pouco tímido.
Quem é a pessoa que mais admira? O meu pai.
Em que ocasiões mente? É raro mentir, só o faço caso seja realmente necessário.
Que talento gostaria de ter? Não considero um talento, mas gostaria de ser grande o suficiente para cobrir a baliza na totalidade.
O que mais valoriza nos seus amigos? A lealdade e a genuinidade.
Quem é o seu artista favorito? Dave.
Qual é o filme da sua vida?
O Cavaleiro das Trevas.
Qual é o seu maior arrependimento? Não ser justo, por vezes, com aqueles que me são mais próximos.
Qual é a sua maior conquista? A conquista da Taça de Portugal pelo Sporting Clube de Tomar.


