Coruche estuda soluções para minimizar perdas dos clubes com lei do álcool
Depois de Salvaterra de Magos, a aplicação da lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas em recintos desportivos está agora a gerar inquietação entre dirigentes associativos de Coruche, levando a câmara municipal a estudar soluções para minimizar o impacto financeiro nos clubes do concelho.
A situação vivida pelos clubes desportivos do concelho de Coruche, confrontados com a proibição da venda de bebidas alcoólicas nos bares integrados em recintos desportivos, foi discutida na primeira reunião de câmara de 2026. O vereador Dionísio Mendes, eleito pelo movimento independente Volta Coruche 25, abriu a discussão, alertando para o peso significativo desta receita no equilíbrio financeiro das colectividades.
Segundo o autarca, que já foi presidente do Coruchense, a exploração dos bares constitui uma fatia relevante da receita própria dos clubes, sendo que a impossibilidade de vender bebidas alcoólicas tem provocado uma quebra acentuada na frequência e nas receitas. Referiu que, noutros concelhos, como Salvaterra de Magos, as autarquias avançaram com mecanismos de compensação financeira e planos de reconversão ou relocalização dos bares, questionando que medidas estão a ser preparadas em Coruche.
O presidente da Câmara de Coruche, Nuno Azevedo (PS), assegura que o executivo tem acompanhado o problema e analisado soluções adoptadas noutros municípios, procurando ajustá-las à realidade das instalações desportivas do concelho. O vereador do desporto, Jorge Grifo, explica que a legislação, nomeadamente a Lei n.º 39/2009, já existe há vários anos, mas que a fiscalização no terreno pelas forças policiais se intensificou recentemente, tornando impossível a venda de álcool dentro dos recintos desportivos. O autarca adianta que aguarda um parecer do comando distrital da GNR, além de estar a clarificar com as autoridades o que é considerado recinto desportivo, entre outros aspectos.
Em paralelo, o município, segundo o vereador, encontra-se a desenvolver diligências técnicas com arquitectos e engenheiros do quadro municipal. O objectivo passa por encontrar soluções que permitam a criação de bares fora do perímetro legalmente definido como instalação desportiva, garantindo que eventuais obras estejam devidamente homologadas pelas entidades fiscalizadoras.
A Câmara de Coruche admite, caso falhe a hipótese de relocalizar os pontos de venda, uma intervenção ao nível regulamentar. Jorge Grifo revelou que está em curso um processo de alteração ao regulamento municipal de apoio ao associativismo, de forma a enquadrar eventuais compensações financeiras aos clubes afectados pela perda de receitas, à semelhança do que sucede noutros concelhos.
O debate surge num contexto regional mais amplo, depois de, em Dezembro de 2025, os dirigentes de quatro clubes do concelho de Salvaterra de Magos terem alertado publicamente para o impacto “muito significativo” da aplicação “mais rígida” da lei do álcool, referindo perdas de receita entre 40% e 60% e riscos para a continuidade das equipas seniores e da formação.


