Diego Souza divide-se entre os bombeiros e a ambição de vingar no pool
Aos 20 anos, Diego Souza divide os dias entre a exigência do socorro e as mesas de pool, num percurso feito de persistência, sacrifícios e apoio familiar, longe dos grandes centros onde se pratica esse jogo da família do snooker.
Diego Souza, 20 anos, técnico de emergência nos Bombeiros Voluntários de Samora Correia, quer afirmar-se como uma das promessas do pool português, jogo semelhante ao snooker mas que se distingue pelas regras, tamanho da mesa e equipamento. Natural de Vila Franca de Xira e residente na localidade do Porto Alto desde sempre, Diego Souza teve o primeiro contacto com o jogo ainda criança, incentivado pelo pai, Alexon Souza. “Jogava desde os três anos, em cima de uma cadeira, com os tacos do café”, recorda, sublinhando que foi nesse ambiente informal que ganhou o gosto pela modalidade.
O percurso competitivo começou no snooker, tendo integrado as camadas jovens do Sport Lisboa e Benfica, depois de treinar na Cue Action, na Amadora. “Foi aí que comecei a dar o salto e a conseguir jogar aquilo que jogo hoje”, explica, reconhecendo a importância dessa fase na sua formação técnica. Em 2018, interrompeu o percurso competitivo, regressando às mesas já em 2025, agora no pool. Actualmente representa o Clube de Casais de Baixo, em Azambuja, competindo na 4.ª Divisão Distrital, depois de se ter federado esta época. O objectivo está bem definido: “Este ano quero subir à 3.ª Divisão, no próximo à 2.ª, e chegar à 1.ª Divisão. É um trabalho longo, mas possível com treino de qualidade”, afirma.
A inexistência da modalidade no concelho de Benavente obriga-o a deslocações frequentes para treinar, realidade que nunca encarou como impedimento. “Não é aqui que eu evoluo. Evoluo a treinar com outros colegas, com jogadores mais fortes”, sublinha, reconhecendo que o convívio competitivo é parte essencial do crescimento desportivo.
Paralelamente, Diego Souza integra a Equipa de Intervenção Permanente dos Bombeiros Voluntários de Samora Correia, depois de um percurso iniciado ainda em criança, na escola de infantes. “Os bombeiros têm de ser por gosto. É uma missão que exige flexibilidade, mas da qual me orgulho muito”, refere. Para o jovem, a experiência no socorro influencia também a forma como encara a competição. “Um bom socorro é uma boa vitória. No pool é igual, tanto se ganha como se perde. É preciso saber lidar com isso”, afirma, apontando a pressão como um factor comum às duas realidades.
Apesar das exigências profissionais, não abdica da ambição desportiva, ainda que reconheça as dificuldades de conciliação. “Se quiser subir de nível, sei que vou ter de treinar todos os dias. Não é fácil, mas é o caminho”, admite. O jovem desportista e bombeiro voluntário finaliza com uma mensagem para os mais novos, tanto no desporto como no voluntariado. “Porque não visitar uma academia ou participar num torneio? E por que não os bombeiros? O voluntariado faz sempre falta”, sublinha, defendendo que o contacto precoce com estas realidades pode marcar percursos de vida.


